Ricardo Silvestrin - As Bandas de Cá

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"Meninada, desperta pras bandas de cá". Esse é um verso da canção Ponto Nodal, do Nélson Coelho de Castro. Fala dos bairros meio à margem de Porto Alegre, chegando até Alvorada. Também sugeria, lá no final dos anos 70, pra gurizada, como eu, que via os shows, prestar atenção no seu lugar, na sua cultura. E, há pouco tempo, caiu a ficha do duplo sentido da palavra "bandas", como lugares, mas também como grupos musicais.

No show Abdução, que o meu grupo os poETs faz toda a primeira quarta de cada mês no teatro da Livraria Cultura, abduzimos o Nélson. Entre alguns clássicos do seu repertório, ele mostrou uma música linda, que fala de um rei negro, em homenagem ao Giba Giba. Outro dia, eu estava vendo a participação do Antonio Villeroy no programa Zoombido, do Paulinho Moska, no Canal Brasil. Totonho falou sobre a grande circulação que as suas composições vêm conquistando no panorama da música brasileira contemporânea. Bethânia ligando pra ele e pedindo música, pra ter uma idéia. Futebolzinho na casa do Chico Buarque. E citou também toda uma geração de músicos de Porto Alegre, entre eles o Nélson, como tendo uma obra que é um verdadeiro tesouro guardado. Grandes canções que são conhecidas mais por aqui.

Por outro lado, a projeção do Antonio Villeroy, com a parceria do Bebeto Alves, reafirma Nélson e sua geração. O espaço de grande estrela conquistado pela Adriana Calcanhoto, o sucesso da Cachorro Grande, do Papas da Língua, a presença sempre interessante do Wander Wildner por São Paulo e Rio, a paixão underground em várias cidades brasileiras pela Graforréia, a corrida por fora da Izmália, o Tangos & Tragédias lotando casas Brasil afora, o internacional Borghettinho, o requisitado Yamandu Costa, o incensado Vitor Ramil, além do trânsito de novos e consagrados músicos e bandas daqui por diversos festivais no Brasil, tudo isso parece sinalizar um novo momento, em que a música made in rs começa a fazer parte com mais naturalidade do cenário nacional. A meninada, inclusive de fora do Estado, está despertando pras bandas de cá. E as bandas de cá estão indo pra lá.

Por: Ricardo Silvestrin

Publicado em Zero Hora,30 de maio de 2008, N° 15617

1 comentários:

Jorge Luiz disse...

Muito bom. moro em Brasília e sou fâ do Bebeto Alves e do Juntos...Como posso conseguir a letra do Aprés la pluie?

jorge.nevespassos@gmail.com

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RamonR