
Para quem não sabe, hoje é o Dia mundial do Rock. Mas porque 13 de julho?
Foi no dia 13 de julho de 1985 que um cara chamado Bob Geldof, vocalista da banda Boomtown Rats, organizou aquele que foi sem dúvida o maior show de rock da Terra, o Live Aid - uma perfeita combinação de artistas lendários da história da pop music e do rock mundial.
Além de contar com nomes de peso da música internacional, o Live Aid tinha um teor mais elevado, que era a tentativa nobre de conseguir fundos para que a miséria e a fome na Etiópia, país da África, pudessem ser pelo menos minimizadas. Dois shows foram realizados, sendo um no lendário Wembley Stadium de Londres (Inglaterra) e outro no não menos lendário JFK Stadium na Filadélfia (EUA).
Os shows traziam um elenco de megastars, como Paul McCartney, The Who, Elton John, Boomtown Rats, Adam Ant, Ultravox, Elvis Costello, Black Sabbath, Run DMC, Sting, Brian Adams, U2, Dire Straits, David Bowie, The Pretenders, The Who, Santana, Madona, Eric Clapton, Led Zeppelin, Duran Duran, Bob Dylan, Lionel Ritchie, Rolling Stones, Queen, The Cars, The Four Tops, Beach Boys, entre outros, alcançando uma audiência pela TV de cerca de 2 bilhões de telespectadores em todo o planeta, em cerca de 140 países.
Ao contrário do festival Woodstock (tanto o 1 como o 2), o Live Aid conseguiu tocar não somente os bolsos e as mentes das pessoas, mas também os corações.
No show da Filadélfia, Joan Baez abriu o evento executando "Amazing Grace", com cerca de 101 mil pessoas cantando em coro o trecho "eu estava perdido e agora me encontrei, eu estava cego e agora consigo ver".
Este show marcou também a única reunião dos três sobreviventes da banda Led Zeppelin, Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones, com a presença ilustre de Phil Collins na bateria.
No final deste show, Mick Jagger e Tina Turner juntos, cantando "State of Shock" e "It's Only Rock and Roll", com Daryl Hall, John Oates e os ex-integrantes dos Temptations, David Ruffin e Eddie Kendrichs fazendo os backing vocals. Foi realmente um momento único na história do ROCK!
O Live Aid conseguiu em 16 horas de show acumular cerca de 100 milhões de dólares, totalmente destinados ao povo faminto e miserável da África.
A partir daí, a data ficou conhecida como o Dia Mundial do Rock.
Para celebrar a data de hoje, um video da banda que simboliza a "renovação de algo já visto nos 70", a Damn Laser Vampires, uma das boas novidades do nosso Rock Gaúcho...
Abraço a todos....
E AME O ROCK!!!!!!!!!!!!!!
Dia Mundial do Rock
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Pylla & Banda Fuga

Depois de muitos anos de total dedicação a música, o compositor e músico Edson Kroth, ou melhor Pylla, lançou em 2004, o CD Pylla Carbono 14 “Bruxos Rosa”. Na Época falava Pylla a Clotilde Gama do jornal A Razão em 2004: "Depois do boom que as bandas Fuga, Nocet, Doce Veneno deram ao rock santa-mariense, a cidade merecia um trabalho deste tamanho. Tudo foi muito bem organizado. Equipamento e estúdio de gravação novos, auxiliados pelos melhores técnicos do rock gaúcho"...

O lançamento foi feito pela mídia a partir da colocação das cópias fonográficas nas lojas do Paraná até chegar ao Rio Grande do Sul. "Não começamos por Porto Alegre, pois estamos cansados de nadar contra a correnteza. Vamos tocar para quem quiser nos ouvir", dizia Pylla. Em Santa Maria, foi comercializado nas lojas Multisom e Planeta Record e em todas as lojas de discos da região central do Estado.

O CD, composto por 11 músicas, foi produzido embasado em uma pesquisa de mercado. "Com a pesquisa chegamos a conclusão que devíamos buscar uma identidade brasileira dentro de um disco de rock. A inspiração veio de Zé Ramalho, Alceu Valença, Kleiton e Kledir, Cássia Eller", salientava Pylla, não esquecendo de Nando Reis que, para ele, é o que há de mais vivo e enraizado na cultura do rock. "Não se surpreendam se ao ouvirem o CD sentirem algo parecido com Almir Sater ou alguma concordância com a música gaúcha", complementa.
O CD contava com os guitarristas Daniel Rosa e Leandro Brenner, o baterista Bruno Sesti, o baixista Nenê Vianna, a backing vocals Déborah Rosa e com Renato Molina, que teve participação especial na composição "Sentimento perdido".
Este não foi o primeiro CD do músico. Em 1989, lançou o disco de vinil com a lendária banda Fuga, onde era vocalista, acompanhado de Rafael Ritzel e Zezinho Cacciari nas guitarras, Gonçalo Coelho no baixo e o grande baterista Pipoca. Era um disco de "hits": "Sentimento Perdido", "Sem Medo", "Jogos de Imagens", "Laranja Mecânica", "Dama da Noite", "Guetos", "Tentando Esquecer", entre outros.Em 1992 lançam o segundo e derradeiro vinil: Crime Ao Vivo, que trazia mais hits: "Peças de Desilusão", "Saudade", "Intimidade" e a faixa-título. Participaram ainda de uma coletânea das 10 melhores bandas de rock do Estado e integraram o disco Ello 1, ao lado das bandas Nocet, Doce Veneno e Feeling.

A Fuga se dissolveu em 1994 em função da desorganização e falta de apoio. Mas deixou seu legado para a eternidade, suas músicas marcantes com as letras inesquecíveis...
Fuga - Fuga (1989)

01 - Sentimento Perdido
02 - Jogos de Imagens
03 - Laranja Mecânica
04 - Dama da Noite
05 - Guetos
06 - Outro Lado
07 - Sem Medo
08 - Teu Mistério
09 - Trocando Palavras
10 - Tentando Esquecer

Fuga - Crime Ao Vivo (1992)

01 - Peças de Desilusões
02 - Crime ao Vivo
03 - Intimidade
04 - Vítimas da Insegurança
05 - Saudade
06 - Quem é Você
07 - Emoções na Cidade
08 - Santo Inocente
09 - Gata
10 - Políticos

Diversos - Ello 1 (1993)

01 - Fuga - Peças de Desilusão
02 - Feeling - Preso ao Teu Amor
03 - Doce Veneno - Like a Fright Night
04 - Nocet - Desconhecida
05 - Fuga - Saudade
06 - Feeling - Sou o Mesmo
07 - Doce Veneno - Waiting for a New Day
08 - Nocet - In
09 - Fuga - Intimidade
10 - Feeling - Amor bandido
11 - Doce Veneno - Algum Lugar
12 - Nocet - Anjos Proibidos
13 - Fuga - Crime ao Vivo
14 - Feeling - Negras Noites
15 - Doce Veneno - Mistérios
16 - Nocet - Have I Gotta Tell You Something

Pylla Carbono 14 - Bruxos Rosa (1994)

01 - Bruxos Rosa
02 - Gata
03 - Do Ser
04 - Embates
05 - Inimigo(Porquê?)
06 - Sentimento Perdido
07 - Teus Olhos
08 - Já Era
09 - Fico Pensando
10 - Saudade
11 - Brisa-Brasa-Blue

>>> Dedicado ao velho amigo Dike... O "Dique Vigarista"... Abraços tocaio.
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Nos Tempos de Mr. Lee

Em 1975 e 1976 existia em Porto Alegre um programa de rádio chamado "Mr. Lee em Concerto". Ia ao ar às dez da noite na histórica Continental AM, frequência 1120, com apresentação de Júlio César Fürst - o "Mr. Lee" em questão. A idéia original era rodar country music, com patrocínio de Lee Jeans. Mas a história começou a mudar quando Júlio foi convidado para ser jurado no festival Musipuc, da PUC-RS. Fascinado com o que viu e ouviu entre os novos talentos gaúchos, o radialista decidiu abrir espaço para músicos locais em seu programa. A segunda meia-hora do "Mr. Lee em Concerto" passou a ser exclusivamente com gravações ao vivo ou feitas no estúdio dois da rádio.
Não era um fato inédito: os Almôndegas já tinham sido lançados pelo programa "Opinião Jovem", patrocinado pelo cursinho pré-vestibular IPV, onde lecionava o professor de português José Fogaça (ele mesmo, hoje ex-Senador), também compositor e amigo do grupo. Mas Júlio foi o primeiro a divulgar material local em larga escala. Numa época em que nem disco independente existia (exceto a investida pioneiríssima de Antônio Adolfo, o "Feito em Casa"), a iniciativa de rodar meia-hora de gravações exclusivas todas as noites acabou furando um bloqueio e criando um movimento. A música do Rio Grande do Sul nunca mais foi a mesma.
Além do programa, "Mr Lee" promovia ainda shows coletivos. Não só em Porto Alegre mas também no interior. E depois de um certo tempo o "Mr. Lee em Concerto" passou a ir ao ar simultaneamente na Rádio Iguaçu, de Curitiba. Em 1976, Luiz Juarez Pinheiro tinha 18 anos. Gaúcho de nascimento, morava no Paraná desde os dois anos. Mas sempre manteve o interesse pela cultura do seu estado. Não perdia um só "Mr. Lee em Concerto". Ele foi uma das seis mil pessoas que assistiram ao show "Vivendo a Vida de Lee" na capital paranaense, no Ginásio do Círculo Militar ("Palácio de Cristal"), surpreendendo aos próprios organizadores com o público maciço.
Mas Luiz Juarez fez mais do que apenas ver e ouvir: com um pequeno gravador portátil, ele gravou vários programas. E manteve suas fitas bem guardadas por todos esses anos. Em um grupo de discussão sobre música, acabamos fazendo contato e ele gentilmente me disponibilizou nada menos do que quatro CD-Rs com suas raridades. Foi uma viagem no tempo.
Luiz Juarez imaginava, como eu também, que mais gente tivesse esses registros em suas coleções. Em especial os protagonistas, como o radialista e os músicos, deviam ter aquelas gravações até com melhor qualidade. Estávamos errados. Aparentemente, ninguém mais gravou nada daquilo. O compositor Nelson Coelho de Castro ficou sabendo do material por um amigo comum, o jornalista Artur Gayer, e me ligou entusiasmadíssimo. Aproveitou para me convidar para participar do programa "Roda Som", na Cultura FM, com apresentação dele, do músico Bebeto Alves e do crítico Juarez Fonseca. Com o aval do verdadeiro herói da história - Luiz Juarez Pinheiro, a quem dei o devido crédito no ar - acabei participando não de um, mas de dois programas.
No meio do primeiro programa, recebemos o telefonema de Francisco Anele Filho, ex-operador da Rádio Continental, que foi quem fez as gravações originais que "Mr. Lee" rodava. Por telefone mesmo, ele mostrou um trecho de "Anos 70", do grupo Utopia, de Bebeto Alves. Tocou também "Magricela", de Nelson Coelho de Castro. Fugindo um pouco do assunto, para mostrar as relíquias do seu arquivo, Anele rodou ainda a íntegra de uma edição extraordinária do noticioso "1120 é Notícia", sobre a morte de Jorge Mautner. Não se assuste: era apenas uma "barriga" que foi ao ar em março de 1975 (a data fui eu quem lembrou). Quando um jornal loca! descobriu que o redator da Rádio Continental passava lá todos os dias para "chupar" notícias do telex, alguém teclou a notícia falsa em modo local e o trote colou. Mas foi emocionante ouvir de novo aquele texto comovente. "O relógio quebrou..." De qualquer forma, já sabemos quem tem as fitas originais com boa qualidade. O dia em que pintar um Marcelo Fróes ou um Charles Gavin na casa do Anele, não vai sobrar pedra sobre pedra.
Infelizmente, não houve tempo para rodar todas as preciosidades enviadas pelo Luiz Juarez. Mas o importante é que elas estão salvas e bem guardadas. Lá se encontram, por exemplo três gravações dos Almôndegas: "Alhos com Bugalhos", "Piquete do Caveira" e "Testamento". As duas primeiras viriam a ser lançadas em disco, embora "Alhos" perdesse o arranjo de assobios no final. A terceira, de Fogaça, continua inédita. (Os Almôndegas gravaram na Continental também "Teiniaguá" e "Aqui", igualmente nunca lançadas, mas essas o Luiz Juarez não chegou a registrar.) "Mr Lee" anuncia "Desencontro de Primavera", com Hermes Aquino, dizendo que "amanhã o Brasil todo vai cantar". E foi exatamente isso que aconteceu em 1977, quando a música entrou na novela "As Loco-Motivas" (pra quem não lembra é aquela que começa assim: "uma andorinha no céu passou e disse...").
O mesmo Hermes canta "Sem Eira Nem Beira", que depois virou "Longas Conversas" e teve a palavra "beber" substituída por "viver". Lembram do Joe, que cantava "Já Fui" e "Me Leva Pra Casa"? Em Porto Alegre ele era conhecido como Zezinho Athanásio. Do seu ex-grupo Simbiose, rodamos a linda "Flor de Klô". O material inclui ainda várias gravações de Fernando Ribeiro, Zé Flávio (ainda no Mantra, antes de entrar para os Almôndegas), Hallai Hallai, Gilberto Travi & o Cálculo IV, Inconsciente Coletivo, Byzarro, Bobo da Corte, João Schuh e outros.
Nada dura para sempre, mas o "Mr. Lee em Concerto" jamais poderia ter acabado no final de 1976. O movimento estava no auge, ainda mais depois das seis mil pessoas em Curitiba, e teria fôlego para continuar por pelo menos mais um ano. Fernando Ribeiro e Hermes Aquino, por exemplo, só lançariam seus primeiros LPs no começo de 77. Infelizmente, com a perda do patrocínio da Lee, Júlio Fürst interrompeu o belo trabalho de divulgação que vinha fazendo. Voltou um mês depois como "Mestre Júlio", às seis da tarde, mas não era mais a mesma proposta. Todos ficamos um pouco órfãos com o final do "Mr. Lee em Concerto" e dos shows "Vivendo a Vida de Lee". Ainda bem que pelo menos um ouvinte teve a visão de gravar alguns programas.
>>>Por Emílio Pacheco.
>>>Publicado originalmente no International Magazine Ed. 90.
- Inconsciente Coletivo: banda que misturava folk e mpb num formato “Peter – Paul – Mary “, com João Antônio (atualmente dono do Abbey Road, uma das principais casas de shows musicais de Porto Alegre, na qual é sócio de Júlio Fürst), Alexandre (um dos proprietários do Sargent Peppers, outra casa noturna importante da cidade) e a (psicóloga) Ângela. Um som suave, com violas e vocais, bem legal, em que se destacavam as músicas “Voando Alto” e “Terras Estranhas”, gravadas em um compacto lançado em 77 pela gravadora carioca Tapecar.
- Bizarro (posteriormente Byzarro): banda de rock progressivo, hard rock, jazz e o que mais pintasse. Criada nos anos 60 sob a alcunha de Prosexo, contou em sua formação com Carlinhos Tatsch (guitarra), Gélson Schneider (baterista, que posteriormente pertenceu às bandas Trovão, Swing e Câmbio Negro), Mário Monteiro (baixo) / Mitch Marini (baixista que também integrou as bandas mencionadas de Gélson). Fizeram vários shows em dobradinha com o Bixo da Seda. Destacam-se no repertório “Sombras” e “Betelgeus Star”.
- Bobo da Corte: na época do Mr. Lee, a banda tinha na formação Zé Vicente Brizola (filho do próprio e fundador do Bixo da Seda), Gatinha (bateria, posteriormente atuou no Saracura em sua fase inicial), Chaminé (baixo, depois Saracura) e Otavinho (guitarra). Fughetti Luz chegou a participar de uma das formações desta banda, antes de entrar para o Bixo. Rock direto levemente hard, numa levada bem juvenil, sendo de destacar “Genial Colegial”.
- Almôndegas: Banda seminal da música gaúcha dos anos 70, da qual participavam Kleiton e Kledir, e, ainda, Quico Castro Neves, Gilnei Silveira e Pery Souza. Depois, saíram os três últimos e entraram Zé Flávio, João Baptista e no finzinho (79) Fernando Pezão, este na bateria. Transitava pelo rock, bossa nova, milongas, temas regionais do Sul, Mpb e o que mais pintasse, com ótimas letras. Destaque para a "Canção da Meia-Noite", que foi trilha da novela Saramandaia da Rede Globo, e "Rock E Sombra Fresca no Quintal" (ambas do genial guitarrista Zé Flávio).
- Hallai-Hallai: banda de country/folk rock, num estilo bem acústico, fazia um som muito legal, contava com Necão e Paulinho, entre outros membros que foram se revezando, sendo que em 1987, com Jorge Vargas no baixo, gravou um disco pela gravadora 3M, intitulando-se apenas como Hallai. Em destaque, as músicas “Cowboy” e “Quando Viajar Pro Norte” (esta de Fernando Ribeiro).- Zé Flávio e o Mantra (posteriormente Mantra Jazz Rock circus): Banda capitaneada pelo guitarrista Zé Flávio, o qual, antes de monta-la, participou da banda-show Em palpos de Aranha, que também chegou a se apresentar em show do Mr. Lee (a Em palpos era Zé, Cláudio Levitan, Graça Magliani, Giba-Giba e Néri). O Mantra era formado ainda por Inácio (baixo), Fernando Pezão (bateria, também da banda instrumental Zacarias, que participou do Mr. Lee, posteriormente integrante dos Almôndegas, Saracura e atualmente nos Papas da Língua), e Jakka (percussão). Transitando entre o rock, o blues, a mpb, o tango, entre outras milongas, sempre com uma pitada “latina” a la Carlos Santana, fazia um som bem lisérgico e com muita energia. Destaque para “Dói Em Mim” e “A Margarida do Brejo”. A banda terminou quando Zé foi convidado para integrar os Almôndegas em 77, mudando-se para o Rio de Janeiro.
- Élbia: cantora que fez parcerias com o jornalista, radialista e músico Jimi Joe, apresentou-se no último show do Mr. Lee, realizado no Teatro Leopoldina, em 76, tinha uma música maravilhosa, que não deixava nada a desejar em relação à Rita Lee da fase Tutty Frutti, chamada “Como Meu Quociente de Pureza Se Manifestou Diante da Sociedade”.
- Gilberto Travi e o Cálculo IV: MPB com pitadas de Jazz e blues, com letras inteligentes e provocativas, nas quais eram utilizadas muitas das gírias dos anos 70, com um especial sotaque portoalegrense. Participou em todos os shows do Mr. Lee. Gilberto chegou a ser convidado por Liminha para gravar um compacto pela Warner, que havia se separado da Gravadora Continental, na época, e estava criando o seu cast, o que só não rolou em face da falta de garantias financeiras mais sólidas, além da exigência de que abandonasse a banda que sempre o acompanhou. Posteriormente, junto com o próprio Júlio Fürst, com Beto Roncaferro, e com João Antônio, formou os Discocuecas, banda impagável de “gozação” e “tiração de sarro”, na qual restou muito bem canalizada a face humorística que Gilberto também explora como compositor e performer. Em sua faceta “séria” destaca-se, no repertório de Gilberto Travi e o Cálculo IV, “Poluição” e “Pretensão”.
- Hermes Aquino: sensacional cantor e compositor, traçava o que viesse, do blues/rock à guarânia. Em sua fase tropicalista, nos anos 60, foi para São Paulo e orbitou em torno dos poetas concretistas, junto com sua prima Laís Marques e com Carlinhos Hartlieb, fechando parcerias com Tom Zé e o grupo o Bando. Depois voltou para o Sul e foi um dos principais nomes dos shows do Mr. Lee. Em face desta visibilidade, gravou pela Tapecar as músicas "Nuvem Passageira" e "Matchu Pitchu", sendo que a primeira foi trilha da novela Casarão, primeiro lugar nas paradas de sucesso nacionais. Desentendendo-se posteriormente com a gravadora Capitol, que lançou seu segundo LP, recolhendo-se infelizmente em ostracismo em sua casa em Porto Alegre, o que vigora até hoje, para a tristeza de seus fãs.

- Fernando Ribeiro: morreu em 10 de agosto de 2006, suas músicas geralmente eram apresentadas com a observação "poeta do Porto", mas quem fazia as letras mesmo era o seu parceiro Arnaldo Sisson. Fernando foi contratado pela EMI e, em suas viagens a São Paulo para gravar o primeiro LP, ligava para a rádio e entrava no ar, no Mr. Lee em Concerto, contando como haviam sido as sessões. Pouquíssimos músicos gaúchos promovidos por Mr. Lee conseguiram lançar LP e Fernando foi o único que teve a gravação divulgada passo a passo para os ouvintes. "Em Mar Aberto" é uma obra-prima de MPB, um disco praticamente perfeito. A produção que a gravadora lhe proporcionou foi digna de um astro. Ali estão jóias como "Ultimamente", "Não Demora", "Hora Imprópria" e "Estado de Espírito". Coincidência ou não, a EMI viria a publicar um anúncio institucional de página inteira com a frase: "Eu quero um estado de espírito!" Tudo indicava que Fernando teria uma bela carreira pela frente, ainda mais com o apoio de uma major.
Mas o mundo deu voltas. A gravadora gaúcha ISAEC, que até então apenas terceirizava seus estúdios, resolveu lançar-se como um selo. Contagiado por um idealismo bairrista, Fernando deixou a EMI para prestigiar a gravadora local. O problema é que a ISAEC tinha algumas deficiências típicas de uma gravadora pequena. O resultado é que o segundo LP de Fernando Ribeiro, "O Coro dos Perdidos", não teve a mesma qualidade de produção do anterior.
Em 1979, Fernando Ribeiro mudou-se para São Paulo e passou a trabalhar no Estúdio Vice-Versa, praticamente abandonando sua carreira de artista. A parceria com Arnaldo Sisson nunca mais foi retomada. Em 1988, o produtor cultural Luciano Alabarse trouxe Fernando a Porto Alegre para um show nostálgico, apenas para matar a saudade. Foi talvez a sua última apresentação. Já há algum tempo, Fernando enfrentava problemas cardíacos e respiratórios. Faleceu em São Paulo, no Instituto do Coração, aos 56 anos.
- Utopia: Trio acústico à base de dois violões de aço (um deles de doze cordas) e violino, liderado por Bebeto Alves, contando também com os irmãos Ricardo e Ronald Frota. Difícil de classificar o seu som, feito de “viagens sonoras” típicas dos anos 70, com muito improviso e músicas intermináveis, seu estilo era mais ou menos “psicodélico-acústico-progressivo”, com pitadas de jazz cigano. Desmanchou-se em 76 e lá por 78 teve nova formação, bem maior, e com uma proposta ligeiramente diferente da original, com Bebeto, Ricardo, Cao Trein, Zé Henrique Campani (que também foi dos grupos Emergência e Metamorfose, que participaram de shows do Mr. Lee) e até de Nico Nicolaiéwsky (passagem rápida), dentre outros. Lá por 79 Bebeto começou sua carreira solo.
Quem é JÚLIO CEZAR FÜRST
Nascido em 8 de outubro de 1949, Júlio Fürst tem 32 anos de carreira no rádio. Sempre teve uma forte ligação com a música. Começou a tocar bateria com 14 anos na banda The Rockets, que tinha uma forte influência dos Beatles. Em 1972, Júlio possuía uma loja de discos, no bairro Moinhos de Vento. Um dos seus clientes mais freqüentes o convidou para trabalhar em uma rádio, devido ao seu grande conhecimento musical. A indicação era para a rádio Pampa AM, na qual realizou um teste e entrou para a equipe.
A proposta da rádio era de uma programação voltada para o público jovem, fazendo frente à rádio Continental, até então a maior audiência neste tipo de segmento. Fürst trouxe para a Pampa muitas inovações, entre elas, tocar músicas de seis minutos, e, na era do rock progressivo, as de 10 e 11 minutos, considerando que naquele tempo só se tocavam faixas de, no máximo, 3 minutos. Outra das suas criações foi o programa Soul Power, que começava às 11 horas da noite. Ele “incorporava” o personagem Julius Brown, o rei da black music. Após um ano na Pampa, recebeu o convite da Continental em 1973, na qual ficou até o final dos anos 70. Para ele, a Continental foi um divisor de águas devido a sua programação diferenciada do que havia no rádio brasileiro, pois tinha uma postura totalmente jovem. Trouxe seu personagem Julius Brown para a rádio, mudando o horário para as 10 horas noite.Em abril de 1975, colocou no ar o personagem Mister Lee, um cowboy vestido de calça Lee. Esta marca estava entrando no mercado brasileiro.
Paralelo a isto, Fürst foi integrante do famoso conjunto humorístico Discocuecas, como baterista. O grupo fez sucesso nacionalmente, realizando diversos shows pelo país. Durou 20 anos.Foram gravados quatro discos, e em 1997, foi gravado seu último registro, logo em seguida foi anunciado o término da banda. Em fevereiro de 1980, a convite de Pedro Sirotsky, que comandava a rede naquela época, foi para a RBS fazer parte da equipe que colocou no ar a rede Atlântida FM, permanecendo até 1984. Após isto, passou pela Rádio Cidade, Jornal do Brasil, Universal FM, Rádio Gaúcha e Band FM, na qual ficou até o final dos anos 80. No início dos anos 90, regressou para a RBS para a rádio 102 FM. Hoje é o coordenador e apresentador da Rádio Itapema FM. E junto com João Antônio Araújo toca a casa de shows Abbey Road na grande Porto Alegre.
Clique aqui e leia uma entrevista sensacional com Julio Fürst.

Abaixo os 4 registros raríssimos para download:
CD 01 (50,80 MB)

A Volta dos Mutantes
A crítica britânica os chama de "a maior banda psicodélica do mundo", "a resposta brasileira ao Pink Floyd" e "o grupo que estava destinado a conquistar o planeta". E músicos da Grã-Bretanha definem o som dos Mutantes como "bom demais para ser verdade".
Os Mutantes estão na ativa, é o primeiro show em 33 anos de separação com os irmãos Serginho Dias e Arnaldo Baptista e o baterista Dinho. Realizou-se dia 22 de maio no centro cultural Barbican, em Londres, numa segunda feira chuvosa o tão aguardado show de retorno da banda.

A apresentação ocorreu cercada de expectativas dos antenados britânicos (fãs e músicos), e encerra o evento Tropicália, que teve início em fevereiro deste ano e contou com apresentações musicais, exibição de filmes e uma exposição de artes visuais.
“Os Mutantes têm uma noção de ritmo melhor do que a do pop anglo-americano. Você pode dançar ou assobiar ao som deles. É uma musicalidade que viaja além de qualquer fronteira", disse em entrevista à BBC Brasil o cantor e guitarrista Gruff Rhys, do grupo galês Super Furry Animals. "Nós ouvimos os Mutantes pela primeira vez nos anos 90, quando excursionávamos pelos Estados Unidos. Não sabíamos se era uma banda atual ou antiga. Soava bom demais para ser verdade.”

O grupo tocou todas as músicas mais importantes dos cinco primeiros discos e várias faixas em inglês do álbum Technicolor e conquistou a platéia com seu alto astral – como nos velhos tempos.
A noite começou nervosa com alguns problemas técnicos, o promotor do Barbican, Bryn Ormrod, subiu ao palco, pediu desculpas pelo atraso. Podia-se sentir no ar a eletricidade da expectativa do público – que lotou o Barbican. Não havia um assento vazio.
Mais alguns minutos se passaram, o promotor voltou ao palco e anunciou os Mutantes. O público foi ao delírio, vendo Arnaldo e Serginho entrando, fantasiados e sorridentes.
O grupo abriu com Dom Quixote e Caminhante Noturno, com pequenos problemas no som da guitarra. Arnaldo, à esquerda do palco, sentado aos teclados, Serginho à direita, e, no centro, a ‘novata’ Zélia Duncan, que, no começo, não parecia muito à vontade.
Ela não é Rita Lee, nem tentou ser. Cantou o vocal principal em poucas músicas, serviu como uma presença central feminina no palco, interagindo mais com os músicos da banda do que com o público.
Ninguém gritou “Rita”, Zélia foi bastante aplaudida quando anunciada e Serginho e Arnaldo pareciam se entender muito bem com ela.
A banda, aliás, além de Zélia, Dinho, Serginho e Arnaldo, contou com um tecladista, uma percussionista, um baixista, um músico que tocou teclados, violão, flauta doce, flauta e cello, além de dois vocalistas, um homem e uma mulher, nos backing vocals.
Arranjos originais
Os Mutantes optaram por arranjos originais, substituindo as orquestrações mais complicadas por gravações ou samplers, como em "Dom Quixote", e preservando as harmonias vocais – sempre distintas – um dos pontos fortes do grupo.
Serginho comandou a banda e os vocais e mostrou porque era tido como o maior guitarrista de sua geração em vários solos.
Arnaldo, discreto no teclado e vocais, irradiava carisma e alegria por estar ali. Cantou "Dia 36", que ficou impecável. Mas bom mesmo foi ouvir as vozes de Serginho e Arnaldo, juntas. É como visitar o bairro da Pompéia, São Paulo, em 1969.
À medida que a banda relaxava e ganhava confiança, o público se animava mais ainda.
Mandaram bem em "Ave Gengis Khan", "Desculpe, Babe" (em inglês), "Technicolor", "Virgínia", "Cantor de Mambo", "El Justiciero" (com uma brincadeira de Serginho, dizendo que o primeiro-ministro britânico Tony Blair iria chamar el justiceiro George W. Bush para acabar com o crime na Grã-Bretanha), "Minha Menina" (bem conhecida do público britânico, graças ao sucesso de uma versão recente feita pelo grupo The Bees), "Baby" (sensacional), "Premier Bonheur Du Jour", "Dois Mil e Um" e "Top Top".
À altura de "Ando Meio Desligado", "Bat Macumba" (com participação do cantor neo-folk americano Davendra Banhart, nos backing vocals) e "Panis et Circensis", o Barbican era uma farra só: todo mundo de pé, pessoas dançando, cantando junto e gritando we love you.
Nos camarins, Serginho e Dinho contaram do sufoco dos ensaios e da ansiedade com o primeiro show depois de tantos anos. O clima era de alívio e felicidade. Os Mutantes conquistaram o público, como se fosse à coisa mais natural do mundo, como se nunca tivessem sumido.
E esse foi só o primeiro show. Imaginem como vai ser o quarto ou quinto, quando estarão nos Estados Unidos. Vão estar tinindo, provavelmente fazendo justiça às palavras da revista Time Out na semana passada, que os chamou de "a maior banda psicodélica de todos os tempos".
Guitarras Inigualáveis
De acordo com Gruff Rhys, são vários os fatores que fizeram com que os Mutantes conquistassem fãs tão díspares como os Super Furry Animals, Kurt Cobain, David Byrne e Beck.
"Eles tem um som eufórico e melodioso, com guitarras que não soam como nenhuma outra. Essa originalidade talvez se deva ao fato de que eles criavam as próprias guitarras. Eles representam o melhor do fim dos anos 60 e começo da década de 70, um período que influenciou muito o Super Furry."
No entender do escritor e jornalista musical Will Hodgkinson, o fato de os Mutantes terem virado uma banda cult entre os britânicos contribuiu para que os integrantes do grupo decidissem retomar atividades.
"No ano passado, Sérgio Dias tocou em Londres e ficou surpreso ao ver os gringos gostando tanto das músicas dos Mutantes. Foi aí que ele percebeu o quanto um show aqui seria importante. Outro fator que pesou na decisão foi que eles foram muito influenciados pelo rock britânico", afirma Hodgkinson, que vai assinar resenha sobre o show para a revista especializada britânica Mojo.
Recentemente, Hodgkinson lançou o livro Guitar Man, no qual trata de guitarristas que marcaram a sua vida e que o levaram a querer aprender o instrumento depois de velho. Os irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Baptista são mencionados em um capítulo que trata das predileções de guitarristas por determinadas marcas de instrumento.
"Consta que um dos motivos da briga que manteve Sérgio e Arnaldo afastados por tantos anos foi causado pelo fato de que Sérgio gostava de guitarras Fender, e Arnaldo, da Gibson Les Paul. Dizem até que os Mutantes estavam em vias de se reunir há dez anos. Mas Arnaldo saiu de sua casa em Minas para visitar Sérgio e ao chegar lá viu uma série de guitarras Fender, o que o teria feito sair em disparada."
Sonhando com Rita
Os Mutantes farão uma turnê pelos Estados Unidos, mas, assim como na apresentação britânica, não deverão contar com a participação de Rita Lee, a ex-cantora do grupo.
Hodgkinson comenta que "é realmente muito triste" que Rita Lee não tenha aceitado participar da volta dos Mutantes. "Ninguém entendeu por que ela não quis participar. Talvez Rita queira ficar na dela por enquanto e esperar para ver a reação ao show. Depois, quem sabe, ela se juntará à banda. A presença de Rita seria a cereja no bolo, mas já esta sendo bom o suficiente ver os dois irmãos juntos novamente."Os próximos shows já têm data e local marcado e são os seguintes: 21 de julho em Nova York no The Webster Hall, 23 de julho em Los Angeles no Hollywood Bowl, 24 de julho em São Francisco no The Fillmore, 26 de julho em Seattle no The Moore Theater, 28 de julho em Denver no Cervante’s Masterpiece Ballroom e 30 de julho em Chicago no The Pitchfork Festival.
Breve História

Uma das mais importantes bandas do Rock nacional, Os Mutantes são reconhecidos até hoje, não só por nós brasileiros, mas por grandes artistas em todo o mundo, pela sua criatividade, ousadia e por ter a coragem de ser vanguarda numa época retrógrada. O fato é que eles eram loucos, e isso bastava. Nunca o Brasil tinha visto uma banda que ia muito além da música: eles eram imagem, cor, diversão. E, além disso, músicos que primavam pela qualidade e originalidade. Pode haver coisa melhor?
Vamos, então, ao começo: Sérgio e Arnaldo tinham sido criados por pais extremamente liberais e ligados à música, de modo que os dois tiveram formação clássica. Apesar disso, a primeira banda que formaram com os amigos era de iê-iê-iê, os Wooden Faces. Os irmãos passavam as tardes ouvindo sucessos da orquestra de Glen Miller, prato cheio pra quem quer conhecer mais sobre como era a vida de meninos de classe média na década de 60. Ao passo que Rita teve sua introdução musical em conjuntos vocais femininos. A beatlemania foi decisiva na vida dos Mutantes, já que foi a fixação pelo Fab Four que levou Rita a um show do Wooden Faces.

Rita e Arnaldo gostaram imediatamente um do outro, e no dia seguinte ao show, estavam engatando o primeiro namoro da vida dos dois. Tinham 16 anos na época. O mais interessante nessa história toda é que, mesmo na época do amor livre, os dois ainda tentaram manter o casamento, e eram extremamente ciumentos e – sim, é verdade – Rita acabou transando com Sérgio anos mais tarde, mas por pura vingança. Ou seja: muito pouco daquela suruba que a gente pensa que era a vida dos Mutantes é verdade.
O conselho que eles mais escutavam quando andavam com os tropicalistas era: ‘Vocês precisam ser mais modernos. Rita e Arnaldo andam sempre grudados um no outro. Isso é um desperdício... ’
Rita Lee era uma dessas pessoas da qual se é difícil resistir ao carisma, àquela ruivinha sardenta, sempre magricela, junto com os dois irmãos, aprontando horrores com os outros. Cigarros de maconha escondidos entre os de tabaco, para enganar quem vivia filando-os, chicletes de alho, nada era suficiente. O número clássico da banda era o seguinte: Janta na casa dos Baptista. Rita começava mastigando um pedaço de bife por alguns minutos, e passava-o para a boca de Arnaldo, que mastigava mais um pouco a carne e jogava-a dentro de um copo de Coca-Cola. Depois que a mistura virava espuma, Sérgio bebia todo o conteúdo do copo. E voltava a mastigar o bife, para depois engoli-lo.

Só pra constar: Sérgio tinha 13 quando virou o guitarrista dos Wooden Faces. Era o que podia se chamar de 'pentelho', criando apelidos pouco convencionais (mas geralmente adequados) para todos. Rita, por exemplo, era a ‘Banana Pintada’. A amizade dos três logo virou musical, e surgia O Konjunto, que meses depois, tornaria-se Os Mutantes (nome sugerido por Ronnie Von e prontamente aceito, já que Arnaldo e Rita eram malucos por ficção científica). Em 1966, os Mutantes faziam sua primeira apresentação, exatamente na estréia do programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von, da TV Record. Começava a revolução, porque aqueles garotos chamaram a atenção de outros programas e de gravadoras.
E de Gilberto Gil, que os convidou pra gravar Domingo no Parque, e apresentar-se no Festival da Record. Rita adorou Gil de cara, os meninos ficaram mais defensivos, já que o negócio deles era rock’and’roll cantado em inglês. Mas eles gravaram a canção e ganharam destaque, começaram então a chover convites para gravarem seu primeiro álbum. Em 1968, os Mutantes entraram em estúdio, com contrato assinado com a Polydor, que lançou a maioria dos álbuns do grupo, incluindo o de estréia “Os Mutantes”, que já trazia dois dos maiores hits: "Panis Et Circenses" e "Batmacumba".
Depois disso, o sucesso não tardou. Participações em filmes, comerciais, festivais, programas de tevê. A noiva grávida, a guitarra elétrica, o theremin, desfiles de moda mostrando seu figurino sempre extravagante. Vaias, resistência, conservadorismo não faltaram. Arnaldo achava graça e dizia: 'ninguém entende a gente e isso é ótimo'.
Em 1969, chega o segundo trabalho “Mutantes”. Os grandes destaques desse disco foram “Dom Quixote” e “2001”, escrita em parceria com Tom Zé. Apresentam-se em Cannes e em Lisboa e na volta, montam o show “O Planeta dos Mutantes”.
Aumentam o line up com a entrada definitiva do baterista Dinho e do baixista Liminha e, em 1970, participam do V FIC, Festival Internacional da Canção, com a faixa “Ando Meio Desligado”, recentemente regravada pelos mineiros do Pato Fu. Essa música fez parte do álbum “A Divina Comédia” e neste mesmo ano ainda gravaram em Paris o álbum “Technicolor”, com versões em inglês para seus maiores sucessos.
O disco deveria ter saído naquele mesmo ano no mercado europeu, mas inexplicavelmente foi arquivado pela gravadora Polydor que o considerou ousado demais para a época, temendo um possível fracasso. Virou um disco cult entre os mais antenados. Nos final dos anos noventa este material foi parar nas mãos de Sean Lennon que se apaixonou na mesma hora pela espontaneidade musical dos Mutantes, Sean correu atrás para que este material fosse lançado o que aconteceu no ano 2000, trinta anos após sua gravação, fazendo ele mesmo o projeto gráfico do álbum. Talvez hoje a história dos Mutantes fosse outra se este álbum tivesse sido lançado na época.
Em 1971, “Jardim Elétrico”, apresentava ao público o hit “Top Top”, que ganhou uma versão acústica da cantora Cássia Eller em 2001. O maior sucesso da carreira dos Mutantes, no entanto, viria só em 1972 com o álbum “Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets”, com a faixa "Balada do Louco".
Rita irritava a maioria das pessoas que conviviam com a banda na época. Ela criava personagens imaginários, como a menina Gumgum (chata e grudenta, que ficava dizendo pequenas crueldades), e Aníbal (o malandro do morro, cheio de gírias e sempre cantando as meninas que estivessem por perto). Ela e Arnaldo começaram a se desentender com mais freqüência, depois de anos de infidelidade e envolvimento com ácido e haxixe.
Começava a viagem sem volta dos Mutantes, com empresários sugerindo cada vez mais que Rita tinha carisma e talento suficientes para seguir carreira solo. E assim, o fez: pegou suas duas cadelas, violão, o mini-moog e desceu a Serra da Cantareira para nunca mais voltar. "Build Up", seu disco debute solo, era um sucesso e a menina de 22 anos firmava-se como uma estrela da música pop brasileira. Mas não sem antes deixar, junto com seus companheiros mutantes, cinco discos que até hoje soam atuais, e a maior prova disso é a paixão de muitos gringos, como Kurt Cobain e Sean Lennon, pelo trabalho do grupo.
Em 1973 entram em estúdio sem Rita para as gravações de “O A e o Z”. O material não agradou a gravadora que não lançou o disco e demitiu a banda. Sem contrato e enfrentando diversos problemas com as drogas, Arnaldo decide que é a sua vez de abandonar o barco e parte em carreira solo. Dinho e Liminha seguem o mesmo rumo.
Diante de uma situação totalmente inédita, Sérgio Dias é obrigado a reformular toda a estrutura da banda. Chama Tulio Mourão para os teclados, o baterista Rui Mota e o baixista Antônio Pedro Medeiros para integrarem o time. Conseguiu um contrato com a Som Livre e, com essa formação, fizeram “Tudo Foi Feito Pelo Sol”, em 1974.
Mas os problemas e discussões estavam longe de terminar e logo após esse lançamento, Túlio e Antônio são substituídos por Luciano Alves e Paul de Castro. Em 1977, soltam “Mutantes Ao Vivo”, que não agradou nem os fãs, nem a crítica e nem os próprios Mutantes. Após esse fracasso e mais alguns desentendimentos, finalmente o grupo encerra suas atividades. Apesar das inúmeras tentativas, Sérgio Dias não conseguiu dar continuidade ao Mutantes sem o irmão Arnaldo, que recusou solenemente todos os pedidos para que voltassem a tocar juntos.
Em 1992, finalmente foi lançado o até então inédito “O A e o Z”.
Pós-banda
Os Mutantes voltariam a ser notícia em 1992, quando os principais jornais brasileiros divulgaram que o grupo iria retornar em sua formação clássica. O que aconteceu na verdade foi um convite de Rita aos seus antigos companheiros para uma participação em um de seus shows. O rancor guardado e as brigas do passado ressurgem momentos antes da apresentação e apenas Sérgio sobe ao palco com a cantora, apesar dos chamados insistentes da platéia por Arnaldo. Em 1993 eles recusam um pedido feito por Kurt Cobain, líder do Nirvana para que se reunissem novamente.

No ano 2000 a gravadora Universal, dona do catálogo da extinta Polydor, finalmente resolve lançar Tecnicolor, que apresenta as canções gravadas pela banda durante sua passagem pela França em 1970. Diz-se que o álbum só foi lançado pela influência (e insistência) de Sean Lennon, filho de John Lennon. A arte gráfica do álbum é toda de Sean.
Em fevereiro de 2005 a revista britânica Mojo incluiu o álbum Os Mutantes em sua lista de "50 Discos Mais Experimentais de Todos Os Tempos", à frente de nomes como Beatles, Pink Floyd e Frank Zappa.
Gênio!! O que mais dizer?
A Genialidade Valvulada - Rogério Duprat, no vídeo-documentário Maldito popular brasileiro: Arnaldo Dias Baptista, de Patrícia Moran, foi categórico em suas duas aparições: Os Mutantes foram à coisa mais importante do tropicalismo. E ninguém conseguiu deixar isto claro. Mas eu sei bem disso que a cabeça disto tudo, a cabeça dos Mutantes era o Arnaldo Baptista. (...) Insisto e resumo, em poucas palavras, o Arnaldo é responsável por quase tudo que aconteceu de 67 pra frente.
Kurt Cobain, em sua passagem pelo Brasil, saudou Arnaldo com uma carta-elogio.
Mas o que há entre a arqueológica opinião de Duprat e a missiva de Cobain? Mitificação a um artista louco? Ou uma outra versão para uma história já sedimentada?
Arnaldo, assim como Rita Lee e Sérgio Dias, teve sua vida e sua obra fracionada em duas etapas: a das glórias da Tropicália; e, no caso de Arnaldo, da piração posterior.
Mas o que dizer dos cinco álbuns de sua carreira solo? E como chamar de loucura sua opção pela amplificação valvulada, agora que novas gerações de valvulados demonstram, mais uma vezes, a sua supremacia perante os leves e descartáveis transistores? Seria loucura também sua opção por guitarra Gibson em detrimento da Fender, usada por seu irmão Sérgio? E seus dois livros de ficção científica? E suas centenas de pinturas a óleo?
A verdade é que a genialidade de Arnaldo só poderia ser tratada, pela mentalidade mediocrizante brasileira, de um forma, como loucura. Nem uma possível morte, várias vezes anunciada, seria adequada. A loucura. Assim teríamos nosso Syd Barrett, nosso Arthur Rimbaud, nosso Antonin Artaud. Mas contra este estigma, basta apenas ouvir a obra de A.B.
Seu primeiro álbum-solo, "Lóki?" é, sem dúvida a obra-prima do rock brasileiro. Lançando em 1974, com a participação dos Mutantes - Rita, Liminha e Dinho - e arranjo de Duprat, e com a recomendação: este disco é para ser ouvido em alto volume, traz: Será que eu vou virar bolor?. Uma pessoa só - do repertório derradeiro dos Mutantes -, Não estou nem aí, vou me afundar na lingerie, Cê tá pensando que eu sou lóki?, Te amo podes crer e outras. Na seqüência, Arnaldo se transfere para o Rio de Janeiro, formando o grupo Unzioutros, com Lulu Santos.
Em 1976, passa a tocar com o grupo Patrulha do Espaço - John Flavin, guitarra; Osvaldo Gennari, contrabaixo; e Rolando Castello Júnior, bateria. No ano seguinte, grava um álbum no Estúdio Vice-Versa, que se manteria inédito até 1988, quando Osvaldo e Rolando remasterizam a fita original e lançam o LP "Elo perdido", que traz Sunshine, Sexy sua, Corta Jaca, Trem, Emergindo da ciência, Raio de sol, Um pouco assustador e Fique comigo.
Em 1980, lança o álbum "Singin' Alone", na estréia do selo Baratos Afins, de Luís Calanca. Arnaldo toca todos os instrumentos. No repertório: I feel in love one day, O Sol, Hoje de manhã eu acordei, Sitting on the road side, Ciborg, Young blood, entre outras.
No início de 1982, internado em uma clínica de São Paulo, sofre acidente. Sua fama de louco e suicida volta à cena.
Em 1987, Rolando Castello lança novo material da época do Patrulha. Agora trechos de uma gravação ao vivo, de 1978. O álbum "Faremos Uma Noitada Excelente..." traz, basicamente, músicas do Elo perdido e do Singin' alone, exceção para a instrumental Arnaldo Soliszta. Ainda em 1987, a Baratos Afins lança, em edição limitada para fãs, o caseiro álbum Disco voador, gravado originalmente em dois canais, pelo artista, e masterizado no Vice-Versa. O disco traz duas versões, em francês e inglês de Balada de um louco e outras sete composições.
Em 1989, a gravadora Eldorado lança o álbum-homenagem "Sanguinho Novo..." Arnaldo Baptista revisitado, com as participações dos grupos Sexo Explícito, 3 Hombres, Vzyadoq Moe, Sepultura, Último Número, Akira S. & As Garotas Que Erraram, Ratos de Porão, Fellini, Atahualpa Y Us Panquis, Maria Angélica e de Skowa e Paulo Miklos.

A partir daí a moeda-Arnaldo Baptista volta à circulação em regravações - Kid Abelha, Lobão, João Penca & Os Miquinhos Amestrados, Paula Morelembaum, Pato Fu e outros -, mostrando um pouco da monumental, e desconhecida, obra do Gepetto valvulado de Juiz de Fora.
DISCOGRAFIA:
· Os Mutantes (Polydor, 1968)
· Mutantes (Polydor, 1969)
· A Divina Comédia Ou Ando Meio Desligado (Polydor, 1970
· Jardim Elétrico (Polydor, 1971)
· Mutantes E Seus Cometas No País Do Baurets (Polydor, 1972)
· O A e o Z (Philips, 1992; gravado em 1973)
· Tudo Foi Feito Pelo Sol (Som Livre, 1974)
· Ao Vivo (Som Livre, 1977)
· Tecnicolor (Universal, gravado em 1970 e lançado em 1999)
Rita Lee:
· Build Up (Polygram – 1970)
· Hoje É O Primeiro Dia do Resto de Sua Vida (Polygram – 1972)
· Atrás do Porto Tem Uma Cidade (Polygram – 1974)
· Fruto Proibido (Som Livre – 1975)
· Entradas e Bandeiras (Som Livre – 1976)
· Refestança (Som Livre – 1977)
· Babilônia (Som Livre – 1978)
· Rita Lee (Som Livre – 1979)
· Rita Lee (Som Livre – 1980)
· Saúde (Som Livre – 1981)
· Rita Lee e Roberto de Carvalho (Som Livre – 1982)
· Bombom (Som Livre – 1983)
· Rita e Roberto (Som Livre – 1985)
· Flerte Fatal (EMI – 1987)
· Zona Zen (EMI – 1988)
· Pedro e o Lobo (EMI – 1989)
· Rita Lee e Roberto de Carvalho (Som Livre – 1990)
· Bossa'n Roll (Som Livre – 1991)
· Rita Lee (Som Livre – 1993)
· A Marca da Zorra (Som Livre – 1995)
· Santa Rita de Sampa (Universal – 1997)
· Acústico MTV (Universal – 1998)
· 3001 (Universal – 2000)
· Aqui, Ali, Em Qualquer Lugar...(Abril Music – 2001)
· Balacobaco (Som Livre – 2003)
· Rita Lee MTV Ao Vivo (CD e DVD) (EMI Music – 2004)
Arnaldo Baptista:
Solo:
· Lóki? (Philips - 1974)
· Singin’ Alone (Baratos Afins - 1982)
· Disco Voador (Baratos Afins - 1987, inédito em CD)
· Let It Bed (L&C/Trattore - 2004)
Com Arnaldo & A Patrulha do Espaço:
· Faremos Uma Noitada Excelente (Vinil Urbano - 1988, inédito em cd)
· Elo Perdido (Vinil Urbano, 1988, inédito em CD)
Sérgio Dias:
· Sergio Dias (1980)
· Mato Grosso - Phil Manzanera & Sergio Dias (1990)
· Mind Over Matter (1991 – Natasha)
· Song Of The Leopard (1997)
· Estação da Luz (2000 - Lotus Music)


2 - A Minha Menina
3 - O Relógio
4 - Maria Fulô
5 - Baby
6 - Senhor F
7 - Bat Macumba
8 - Le Premier Bonheur Du Jour
9 - Trem Fantasma
10 - Tempo No Tempo
11 - Ave Gengis Khan

2 - Não Vá Se Perder Por Aí
3 - Dia 36
4 - 2.001
5 - Algo Mais
6 - Fuga Nº II Dos Mutantes
7 - Banho de Lua
8 - Ritta Lee
9 - Mágica
10 - Qualquer Bobagem
11 - Caminhante Noturno

2 - Quem Tem Mêdo de Brincar de Amor
3 - Ave Lúcifer
4 - Desculpe Babe
5 - Meu Refrigerador Não Funciona
6 - Hey Boy
7 - Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo
8 - Chão de Estrêlas
9 - Jôgo de Calçada
10 - Haleluia
11 - Oh! Mulher Infiel

2 - Benvinda
3 - Tecnicolor
4 - El Justiciero
5 - It’s Very Nice Pra Xuxu
6 - Portugal de Navio
7 - Virgínia
8 - Jardim Elétrico
9 - Lady, Lady
10 - Saravá
11 - Baby

Desde Que Eu Tenha O Meu Rock and Roll
2 - Vida De Cachorro
3 - Dune Buggy
4 - Cantor de Mambo
5 - Beijo Exagerado
6 - Balada do Louco
7 - A Hora e a Vêz do Cabelo Nascer
8 - Rua Augusta
9 - Mutantes e Seus Cometas No País do Baurets
10 - Todo Mundo Pastou II

2 - Rolling Stones
3 - Você Sabe
4 - Hey Joe
5 - Uma Pessôa Só
6 - Ainda Vou Transar Com Você

2 - Pitagoras
3 - Desanuviar
4 - Eu Só Penso Em Te Ajudar
5 - Cidadão Da Terra
6 - O Contrário de Nada Nada
7 - Tudo Foi Feito Pelo Sol

2 - Benvindos
3 - Trem
4 - Sagitarius
5 - Esquizofrenia
6 - Rio de Janeiro
7 - Loucura Pouca é Bobagem
8 - Hey Tu
9 - Rock n Roll City
10 - Tudo Explodindo
11 - Grande Finale
12 - Anjos do Sul (Reprise)

2 - Bat Macumba
3 - Virginia
4 - She’s My Shoo Shoo ( A Minha Menina)
5 - I Feel A Little spaced Out (ando Meio Desligado)
6 - Baby
7 - Tecnicolor
8 - El Justiciero
9 - I’m Sorry Baby (Desculpe Babe)
10 - Maria Fulô
11 - Le Premier Bonheur Du Jour
12 - Saravah
13 - Panis Et Circenses (reprise)

2 - Beija-me Amor
3 - Hoje É O Primeiro Dia do Resto da Sua Vida
4 - Teimosia
5 - Frique Comigo
6 - Amor Branco e Preto
7 - Tiroleite
8 - Tapupukitipa
9 - De Novo Aqui Meu Bom José
10 - Superfície do Planeta
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