Hystórias do Mutuca - Os baixistas do Alphagroup 2 - Flávio Chaminé

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Amigo Ramon....

Voltando ao assunto "os baixistas que tocaram com Mutuca", vou te contar sobre o Flávio Chaminé e a nossa participação no Festival Universitário de 1969...

Em janeiro e fevereiro daquele ano, eu estava na praia de Cidreira na casa do nosso (meu e do meu primo Carlinhos Hartlieb, que também estava lá) tio Ranulfo. No clube (SAPC), encontramos certo dia, o guitarrista e cantor Cláudio Vera Cruz, que estava sem banda...

Fizemos muitas serestas e reuniões musicais, eu, Carlinhos e Cláudio...

Na volta a Porto Alegre, como minha banda Alphagroup estava desativada, convidei o Cláudio para que nós a reativássemos, com Falcetta (baixo) e Jorge Buz (bateria)... Mas, o Cláudio falou que tinha um baixista mais apropriado para a empreitada, e um segundo guitarrista... Foi quando conheci o Chaminé (baixo e vocal) e o Móka Lucena (guitarra e vocal). Começamos a ensaiar num clube da zona sul... E mais uma vez o Cláudio vetou outro de meus músicos, o Jorge, apresentando o João Manoel Blattner (que tocara bateria com os Dazzles)... Assim, foi formado o novo Alphagroup, que tornou-se o Succo (influencias do Cream)...

Mais uma intervenção do Cláudio e eu fui obrigado a estudar canto (o que fiz por 3 meses com o maestro Roberto Eggers, ex-regente da Orquestra da Rádio Farroupilha e compositor da única ópera gaúcha, Os Farrapos), ficando fora dos ensaios... Também estava estudando para o vestibular de inverno da Arquitetura da UFRGS.

Nesse ínterim, estavam abertas as inscrições para o II Festival Universitário da Canção, sendo acolhidas as músicas dos jovens universitários de todo o Brasil. Uma amiga, estudante de Filosofia na PUC, Eliana Donatelli, foi convidada a integrar o grupo, assim, a composição Nem Só De Graves Vive O Homem (de Cláudio e Chaminé) foi inscrita em nome da Eliana...

Eu voltei ao grupo, para as apresentações no palco da Reitoria da UFRGS, mas como não tinha ensaiado nem conhecia a música direito, me apresentaria como ritmista, tocando maracas e fazendo intervenções cênicas, como era o hábito do momento psicodélico.

Preparei um kit para soltar bolhas de sabão e comprei um quilo de talco industrial que imaginei espargir sobre a banda... A música foi bem trabalhada, com arranjo para orquestra de Zé Rodrix.

Na noite de apresentação, estávamos lá, eu com um poncho estilizado e o João vestindo um pijama vermelho que emprestei. Eliana e Móka estavam de cowgirl e cowboy.... Cláudio com uma bata verde e Chaminé - de ceroulas e com um penico na cabeça - e mais a participação do baixista Renato Português (ex companheiro de Cláudio na banda Som 4), recém chegado da Inglaterra, ficando a banda com dois baixistas.

Instantes antes da nossa hora de entrar no palco, a cantora Maria de Lourdes criticou radicalmente a vestimenta do nosso baixista, que revidou com um sonoro palavrão, causando a ira de Geraldo Flach que partiu pra cima do Chaminé com sérias intenções agressivas, no que foi contido por cinco ou seis músicos na coxia.... Foi nesse momento que o Português, indignado, usou seu baixo para acertar a cabeça de Geraldo, fazendo com que ele desmaiasse... Foi um corre corre - e era a hora do Succo entrar no palco...

Resultado: Eliana (aos prantos) não conseguiu cantar direito, Móka não conseguiu plugar sua guitarra e eu quase não fui permitido entrar em cena... Na hora do solo de guitarra, larguei as maracas e comecei a soltar as bolhas de sabão... O Português (já completamente alterado) chutou o pacote de talco, que espalhou em cima da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre com a regência do maestro Alfred Hülsberg, que parou de tocar...

A platéia veio abaixo... A confusão era geral... Ao sairmos do palco, tivemos que nos esconder da Brigada Militar que queria deter o causador da encrenca.

Histórico, último dos festivais competitivos... O que eu chamei de "Invernália".

Ah...foi nesse vestibular que eu ingressei na Faculdade de Arquitetura... Ahahahahaha...

Abração do amigo
Muts

6 comentários:

Anônimo disse...

Oi Muts!
Você esqueceu ou preferiu não citar o fato de que na hora da banda entrar, o nosso roadie e grande parceiro Rene Curial foi empedido de montar os acessórios de palco o que fez com que o clima ficasse ainda mais tenso , mas foi um acontecimento e tanto, só mesmo quem estava lá para pode testemunhar aquele teatro musical ainda bem precoce para época
Abração
João Blattner

Nei disse...

Mutuca, histórias maravilhosas, queremos mais! Esse evento que descreves tão bem mostra que os artistas verdadeiramente marginais e radicais não tiveram história, sumiram da memória. Ficaram as estrelas que saíram da marginalidade para o bem bom da inclusão. Mas a transgressão mesmo é essa que descreves tao bem. Mais uma dúzia de gerações e todos saberão o que realmente pegou nos anos 60. Grande abraço.

salomone disse...

AE MUTUCA,grande história!
Aqueles tempos que eram bons.Boas músicas e músicos com atitude,que faziam a mudança acontecer!Nós,músicos novos,devemos aprender à ter atitude e nunca deixar o ROCK IN ROOL morrer!!!
grande abraço.

Anônimo disse...

BOA essa do pinico na cabeça!!!Mande-nos mais dessas!!!valeu

aoseualcance disse...

olha muts, te senti meio influenciado, palas gravacoas que o nosso queriodo joao nos descolou do succo...ando infinitamente atras das coisas do pai(chamine)...e ainda rex zo pra que aperec alguem que gravou esse festival emsuper 8..ou algo assim...senao nem com regressao eu vo conseguio ver isso hahahah...tambem deixo regostradop aqui, que se algume tem aglo dessa epoca(referente ao chamine) por favor entre em contato com seualcance@gmail.com

charles london disse...

Aqui é o Chiclet, amigo do peito do Chaminé, amigo, mas nem tanto do Claudio Vera Cruz, do Português , do Moca de São Francisco de Paula e mais uma pá de gente desse meio.

O Mutuca se esqueceu de citar que o xarope do Geraldo Flack era irmão do rato federal, anti-drogas, Mathias Flack. Olha o perigo que os loucos correram!

Zé Rodrix mais tarde ficou famoso por ter composto EU QUERO UMA CASA NO CAMPO, grande sucesso den Elis REgina. Na época Zé Rodrix fazia teatro em POA e dava aulss de música para as gatinhas. Comeu um monte delas com essa conversa mole. Na música terminou pela metade, o maestro Rodrix fazia uma notação diferente na partitura - um Batman aparecia de tempos em tempos. Enlouqueceu o maestro.

Um abraço

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RamonR