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Vitor Ramil - (2010) Délibáb

Não é todo dia que aparece um artista brasileiro com o conceito de seu trabalho tão bem definido na cabeça como o cantor, compositor e escritor gaúcho Vitor Ramil, que acaba de chegar ao seu oitavo disco com Délibáb. A princípio, o nome do novo trabalho parece resultado do mesmo jogo de palavras que batizou seu último romance, Satolep (2008) – Pelotas, cidade onde nasceu, escrito de trás para frente. Mas não: a palavra húngara tem origem na junção de déli (do Sul) e báb (ilusão), cujo significado é miragem. Uma imagem que se perde no horizonte. O repertório é composto por 12 milongas escritas por ele para poemas do argentino Jorge Luis Borges e do gaúcho João da Cunha Vargas.

“Gosto muito de ler enciclopédias velhas. Estava mexendo numa delas aqui em casa, Nosso universo maravilhoso, que casualmente tem texto do argentino Ernesto Sábato, e nela encontrei a palavra e a descrição de délibáb. Aproveitei essa ideia no meu livro Satolep e, quando fui gravar o disco, me dei conta de que o que eu estava fazendo era muito parecido com o que fez o meu personagem no livro, um fotógrafo que viajou o mundo e volta da Hungria trazendo a foto de um délibáb. Era uma trajetória semelhante da minha parte: ir à Argentina e voltar de lá trazendo milongas que são milongas de outras milongas. Aí começa toda uma ideia de espelhismo muito forte”, explica Vitor.

O artista pinçou seis poemas do livro Para las seis cuerdas, de Borges (1899-1986), bem como foram seis os escritos que escolheu da obra de Vargas, homem do campo nascido na cidade de Alegrete e que não tinha o hábito de registrar o que criava – familiares e amigos costumavam fazê-lo. “Musiquei dois poetas que existiram, mas ao mesmo tempo esse disco tem uma dimensão ficcional muito grande, a começar pela própria poesia deles, que fala de coisas reais e, muitas vezes, ficcionais. O motivo do délibáb é esse: ver algo no horizonte que não está necessariamente lá, é imaginação, é projeção. Há vários jogos de espelho nesse trabalho”, completa.

Sua atração pelas milongas não é de agora e também faz tempo que começou a musicar poemas – inclusive os de Borges. Por exemplo: Milonga de Manuel Flores, incluída em Délibáb, foi o primeiro poema do argentino musicado por Vitor, quando tinha 19 anos – hoje tem 47.

Ao todo, fez música para oito escritos de Borges, seis das quais incluídas no disco. “Sabia que alguns haviam sido musicados pelo Piazzolla e esses eu não musicaria”, diz. Do mesmo autor, trouxe para o repertório Milonga de albornoz, Milonga de los morenos (participação de Caetano Veloso), Milonga de dos hermanos, Un cuchilo en el norte e Milonga para los orientales.

Já Vargas (1900-1980) é seu “conhecido” desde o disco Ramilonga (1997), quando musicou e gravou a poesia Gaudério. Desta vez Vitor escolheu seis poemas: Chimarrão, Mango, Tapera, Deixando o pago, Pé de espora e Pingo à soga. “Na metade dos anos 1990, um amigo me presenteou com um livro dele. Nem conhecia seus poemas e hoje já musiquei quase toda a obra dele”, conta. O interesse foi tanto que o artista foi visitar as terras que pertenceram à família de Vargas e levou consigo os filhos do poeta, que não conheciam o lugar. “Visitando os lugares, dei consistência ao trabalho, pois as milongas envolvem muita história e cultura. Foi fundamental”, observa.

MILONGA No que diz respeito à parte de Borges, esse esforço se traduziu na opção por gravar quase todo o disco em Buenos Aires, onde o escritor nasceu. “Por mais que me vire bem no espanhol, outra coisa é cantar e entender o sentido de algumas coisas. Há uma música que começa assim: ‘Allá por el Maldonado, que hoy corre escondido y ciego’. Quando estava lá, descobri que na rua em que eu ia para o estúdio corre o rio Maldonado, que foi canalizado. Parte das histórias do Borges e toda sua mitologia fui destrinchando ao longo das gravações”, afirma.

Além disso, o único músico que o acompanha no disco é de lá, o violonista Carlos Moscardini. Anos atrás, Vitor decidiu procurá-lo depois de ouvir um disco do músico. “Ele é assombroso, muito sutil e tira som maravilhoso do instrumento. Toco violão de aço, incomum nas milongas, e ele, de náilon. A soma ficou bem interessante”, elogia. Só recentemente, quando o gaúcho se preparava para um show em Porto Alegre, convidou o argentino para dividir o palco. A química entre os dois se fez evidente quando tocaram milongas de Borges e assim o público teve a chance de conferir antecipadamente o que viria a ser Délibáb.





O délibáb do Vitor, e o meu

Você sabe o que é Délibáb? Eu também não sabia…até Vitor Ramil escolher esse nome para seu novo disco em parceria com o músico argentino Carlos Moscardini.

O repertório, totalmente de milongas, foi apresentado na capital portenha na semana passada (durante o projeto Expreso Porto Alegre em Buenos Aires), e é uma pequena jóia dos pampas.

Reúne músicas compostas por Vitor a partir dos poemas do argentino Jorge Luis Borges, publicados originalmente no livro Para las seis cuerdas, e dos versos do brasileiro João da Cunha Vargas, registradas na voz do poeta em fitas cassete, e posteriormente publicadas em seu único livro, Deixando o Pago.

Ramil destaca que guardadas as imensas diferenças entre as vidas e as obras dos dois autores, “suas imagens se projetam nitidamente no horizonte de um sul mítico, tocando-se em determinados pontos”.

Ambos foram homens de memória prodigiosa.

“A memória de Borges, poeta culto, é celebre, abarcava sua poesia, conferências e versos de outros autores, em mais de um idioma. A memória de Vargas, poeta popular, guardava sua poesia, já que ele não costumava escrever seus versos. Borges escreveu sobre o gaúcho. Vargas foi o próprio gaúcho”, diz.

Por outro lado, enquanto os versos de Borges são pródigos em facas, “peleias”, sangue e morte, os de Vargas são mais doces, mais amorosos, mais melancólicos.

Vitor conta que as marcas de cada um são tão fortes que se refletiram nitidamente nas músicas que ele compôs. Assim, as milongas para os versos de Borges são em geral mais clássicas, épicas ou rítmicas, fiéis à afinação tradicional do violão. Para Vargas são mais próximas da música brasileira, líricas e sentimentais.

Ramil namora as milongas desde cedo. “Elas me emocionam”, diz. Compôs a primeira aos 17 anos, Semeadura, gravada por Mercades Sosa com o nome de Siembra. Em seguida, aos 19 anos, gravou Milonga de Manuel Flores, de Borges, mas em português. Três anos depois, musicou Gaudério, de Vargas.

De lá para cá não parou mais. Tem hoje musicado sete poemas do livro de Borges e quase toda a obra de Vargas, que é pequena.

Moscardini, a outra ponta do disco, é um profundo conhecedor da musica argentina dita de raiz e é um “sujeito pampeano”, como classifica Vitor. O trabalho dos dois pertence à mesma querência, se completam, se justificam. Isso é claro.

Ambos se deliciam com a possibilidade de que Borges e Vargas tivessem se visto um dia, mesmo que de longe.

Os poetas estiveram fisicamente próximos, sem saber, evidentemente, quando Borges passou uma temporada na estância Las Nubes, em Salto Oriental. Vargas vivia a alguns quilômetros dali, em Alegrete, no Rio Grande do Sul. E os dois fariam 110 anos (Borges em 2009 e Vargas este ano).

“Não teriam eles pelas suas andanças em campos extensos naquela zona de fronteira entre Uruguai e Brasil avistado os vultos um do outro ao longe, nem que fosse como um délibáb", pergunta Ramil.

Poderia escrever muito mais sobre o disco e a entrevista, e contar que não é a primeira vez que Borges é musicado, que Piazzolla e Troilo possuem suas interpretações, que Caetano terá participação especial em Milonga de los Morenos, e que a foto da capa do disco foi feita do alto do Kavanagh, prédio emblemático da capital portenha.

Mas prefiro encerrar dizendo que ter uma “charla” com Ramil e Moscardini, dois músicos que admiro muitíssimo, em pleno coração de Buenos Aires, e falar de milonga, de frio, de Borges, de Sul, de espelhismos e planícies e horizontes foi, isso sim, o “meu” délibáb. Mistura de babar e de delícia.


Gisele Teixeira é jornalista. Trabalhou em Porto Alegre, Recife e Brasília. Recentemente, mudou-se de mala, cuia e coração para Buenos Aires, de onde mantém o blog Aquí me quedo, com impressões e descobrimentos sobre a capital portenha.





DIVIRTA-SE:

Vitor Ramil - (2010) Délibáb











01. Milonga De Albornoz
02. Chimarrão
03. Milonga De Los Morenos
04. Mango
05. Milonga De Los Hermanos
06. Tapera
07. Un Cuchillo En El Norte
08. Deixando O Pago
09. Milonga De Manuel Flores
10. Pe De Espora
11. Milonga Para Los Orientales
12. Pingo A Soga

Porto Alegre Canta Tangos

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O sul do Brasil é diferente. O sul tem seu próprio “calor”, climatológicamente e afetivamente falando; esta mais perto do Pampa, do índio, da milonga e do tango. Não por acaso, o povo do Rio Grande do Sul se chama “gaúcho” e sua música e suas expressões artísticas se assemelham a de nossos “hermanos”.

A estética imprimida, o que da origem aos trabalhos dos artistas gaúchos é a estética da melancolia, do recolhimento, da reflexão, da leveza e também a da sofisticação. O folclore, de bomboleguero e acordeom (que se chama gaita), viabilizou a mistura que produz desde o rock, canções melódicas, tradicionalistas, até o pop. Dando a música estas características próprias de uma cultura que se formou a base do cruzamento das fronteiras entre Brasil, Uruguai e Argentina. Uma palavra em comum tem reunido artistas diferentes daqui e de lá: O Tango.

Mas isso não é novo, conta à história que o primeiro disco de tango fabricado na América Latina, foi gravado e prensado em 1914 em Porto Alegre. Era "El Chamuyo" de Francisco Canaro, que ganhou como prêmio em um festival do Teatro Nacional de Buenos Aires. Como o mundo estava em tempos de guerra e as matrizes gravadas na Argentina não podiam ser levadas até a Europa para ser prensadas, se decidiu fazê-lo na fábrica “A Elétrica” de Porto Alegre. Talvez essa tenha sido a primeira semente dos projetos que viriam a acontecer nos anos 2000.


Quem sabe o tango é a chave, o segredo que permiterá nos conhecermos mutuamente e que vem ativando varias edições dos festivais de música Buenos Aires em Porto Alegre e Porto Alegre em Buenos Aires, mediante os quais, os públicos daqui e de lá tem a oportunidade de ver outros artistas mostrando outras formas de refletir um mesmo sentimento.

Durante o mês de março de 2003, foram realizados uma série de recitais gratuitos de artistas do Brasil na Argentina. Na caravana estavam: Jorginho do Trompete, Renato Borghetti, Vitor Ramil, Lourdes Rodrigues, Rubens Santos, Arthur de Faria, Muni, Nenhum De Nós, Bandaliera, Bebeto Alves e Totonho Villeroy. Estiveram acompanhados pelos músicos argentinos Chango Spasiuk, Brián Chambouleyron, Pedro Aznar, Esteban Morgado, Liliana Herrero, Raúl Carnota y La Chicana entre outros. Tudo organizado pela Secretaria de Cultura da Cidade de Buenos Aires, e de quebra, ainda tornou possível a reedição do disco "Porto Alegre canta Tangos" de onde participam vários desses artistas.

O CD é algo assim como a primeira coletânea fonográfica (pais e mães, protagonistas deste romance, são os muitos discos editados desde os anos 30 até hoje, dos muitos artistas que foram tecendo esta trama cultural) deste romance que começou a ser cultivado entre as duas cidades: Porto Alegre e Buenos Aires.


"Porto Alegre Canta Tangos" foi produzido pelo guitarrista argentino Esteban Morgado, que se encarregou de interpretar os sentimentos dos oito artistas brasileiros que cantam no disco e de, em alguns casos, aproximar as canções ao estilo dos interpretes. O que ao final é demonstrado pela satisfação com o trabalho final.


Dão vida aos 14 temas que integram o disco, oito vozes do Brasil, acompanhadas por outros músicos argentinos: Marcelo Torres no baixo, no piano Marcelo Macri, Walter Castro no bandoneón, Bernardo Baraj nos sopros e Esteban Morgado no violão. E também há outros músicos convidados como Lidia Borda, Damián Bolotin, Walter Castro, Horacio Mono Hurtado e os conjuntos de violões Pinta Bacán Con Burucuá, Margulis e Morgado.

O disco abre com uma versão de "Vuelvo al Sur", de Pino Solanas e Astor Piazzola, cantada por Bebeto Alves e Leonardo Ribeiro. Esta, como todas as versões do disco, é uma famosa canção, reformulada pelas particulares vozes de seus interpretes. E representa parte da filosofia deste trabalho.

Bebeto Alves
Bebeto Alves, com sua voz lançada e furiosa, se converteu, ao longo de 25 anos de carreira, em um garimpeiro de novas sonoridades, sempre inovando na música do sul, se utilizando do folclore regional, da música popular de outras regiões do país e do pop/rock planetário (tal e como ele se descreve).


Vitor Ramil
O segundo tema é “Melodía de Arrabal”, em uma versão de Vitor Ramil, cantada com o tom suave e doce que imprimiu o músico milongueiro. Nas apresentações ao vivo este era um dos temas mais aplaudidos pelo público argentino. Vitor Ramil, um jovem de 35 anos com 20 de música, se declara completamente enamorado pelos tangos do principio de século e a milonga é a matriz musical de sua obra atual. No disco canta também “Yira Yira”.

Lourdes Rodrigues

Lourdes Rodrigues é uma dama com uma voz implacável e genial. Tem 47 anos de carreira nas noites de Porto Alegre e escutá-la cantar segue sendo renovador. Ela encarna "El Último Café" e "Sin Palabras", com precisão e beleza.



A "Malena" deste CD é sem dúvidas a mesma de que falava Homero Manzi em 1941, porém vestida de farrapos, com um espírito roqueiro. Bebeto Alves realiza uma das versões mais incríveis deste trabalho. Também canta "Naranjo en Flor".

Leonardo RibeiroLeonardo Ribeiro se criou escutando rádios argentinas e tango, hoje em dia faz muito sucesso na Europa, em especial na França. Nascido em Quaraí (RS), cidade que faz fronteira com a uruguaia Artigas, Leonardo é um grande conhecedor da música latino-americana. Foi esse o repertório que ele apresentou aos europeus, adicionando, mais tarde, o jazz e ritmos caribenhos no seu currículo.

Embora fizesse sucesso desde os anos 70 fora do Brasil, só se tornou conhecido na sua terra no início dos anos 90. Leonardo teve a oportunidade de trabalhar com Teca & Ricardo, com o saxofonista americano, Barney Willen, com Nana Caymmi, Wagner Tiso, Robertinho Silva e Egberto Gismonti. Compôs várias músicas com Gonzaguinha, além de autores como Hélvius Villela, Ricardo Vilas e Juarez Fonseca. Também canta no disco as faixas "Uno" e "Volver", dois tangos que interpreta com a doçura de uma voz sentimental.
Totonho Villeroy


Após esta "Cafetín de Buenos Aires", na voz de Totonho Villeroy, compositor e cantor influenciado especialmente pelo samba, bossa nova, milonga e pelo pop. Sua descrição cantada de “Cafetín” é belíssima.




Rubens SantosAgora a jóia deste CD, Rubens Santos, que com sua juvenil presença (90 anos), é uma verdadeira glória da música brasileira. Ele canta em português, mas transmite sua mensagem em um idioma universal. Quando subiu ao palco na apresentação do disco deu mostras de uma qualidade vocal imbatível, de um amor pela arte emocionante e da vigência sem idade da música. Canta no disco dois temas, "Venganza", de seu camarada gaúcho Lupicínio Rodrigues e "Uno", traduzida e adaptada por ele.

Na faixa 12 do disco aparece o sax inconfundível de Bernardo Baraj, que serve de base para a não menos inconfundível voz de Luciana Pestano. Sua interpretação do tango com mais versões da história, "El Día Que Me Quieras", é apaixonante e por momentos se entende que esta música poderia ter sido também parte do repertorio de uma Janis Joplin (Luciana Pestano é sua “alter ego” sul americana), que o sentimento do tango não tem fronteiras.

Hique Gomez
Hique Gomez realiza uma bonita e divertida versão de "Por una cabeza". E o Esteban Morgado Cuarteto realiza uma fusão de dois temas emblemáticos daqui e de lá. Tocam em versão instrumental "Felicidade" de Lupicínio Rodrigues e "Milonga de Mis Amores" de Contursi e Laurenz. Dão mostras de toda sua qualidade musical e do espírito do disco.


Cartaz da apresentação"Porto Alegre Canta Tangos" é um disco belo para quem quer que o escute, seja na Argentina, no Brasil ou em qualquer parte do mundo. Os músicos que se atreveram a esta empreitada capturaram as canções com a entrega e o amor que o tango exige, e que o tango devolve. Os argentinos muitas vezes as tratam com respeito, mas também distância, mas neste disco recebem universalidade, versatilidade, presteza, vitalidade e atrevimento. Voltam a adquirir, em definitivo, esse espírito de rebeldia apaixonada que engendraram por estas águas, a mágica irreverência de umas almas querendo torcer seu destino com a ternura feroz da música. O tango neste disco encontra seu curso, se deixa levar pelas águas que o acalentaram num princípio e que aqui revivem sem solenidade, mas com arte.

"Vuelvo al sur como se vuelve siempre al amor.
Vuelvo a vos, con mi deseo, con mi temor.
Llego al sur, como un destino del corazón.
Soy del sur como los aires del bandoneón.
Sueño al sur, inmensa luna cielo al revés.
Busco el sur, el tiempo abierto y su después.
Quiero al sur, su buena gente, su dignidad.
Siento al sur, como a tu cuerpo en la intimidad.
Vuelvo al sur, llegó al sur ...."

("Vuelvo al Sur", Solanas-Piazzolla)



Porto Alegre Canta Tangos (2000)












01 - Vuelvo al Amor - Bebeto Alves y Leonardo Ribeiro
02 - Melodia de Arrabal - Vitor Ramil
03 - El Ultimo Café - Lourdes Rodrigues
04 - Malena - Bebeto Alves
05 - Felicidade - Milonga de Mis Amores - Esteban Morgado Cuarteto
06 - Uno - Leonardo Ribeiro
07 - Cafetín de Buenos Aires - Totonho Villeroy
08 - Sin Palabras - Lourdes Rodrigues
09 - Venganza - Rubens Santos y Lidia Borda
10 - Volver - Leonardo Ribeiro
11 - Yira Yira - Vitor Ramil
12 - El Día Que Me Quieras - Luciana Pestano
13 - por una cabeza - Hique Gomes
14 - Naranjo en Flor - Bebeto Alves
15 - Uno - Rubens Santos
16 - Vuelvo al Sur - Bebeto Alves, Leonardo Ribeiro y Luciana Pestano




Traduzido e adaptado do jornal "El Clarin" por RR.

Vitor Ramil ganha Prêmio TIM de Música

PhotobucketO público escolheu Vitor Ramil como melhor cantor no Prêmio TIM de Música. Irmão mais novo de Kleiton e Kledir (ou o contrário: Kleiton & Kledir irmãos mais velhos de VITOR RAMIL), desbancou Caetano Veloso, Lulu Santos, Djavan e outros na briga pelo, sei lá se isso é bom para alguém, cobiçado prêmio.

Confira a lista completa dos vencedores do Jaba, (digo Prêmio TIM de Música):

CATEGORIA ARRANJADOR

Arranjador

Cristóvão Bastos por "Acústico MTV" - Paulinho da Viola (Sony/BMG)

CATEGORIA CANÇÃO

Melhor canção

"Vai dizer ao vento", de Paulinho da Viola - intérprete Paulinho da Viola (Sony/BMG)

CATEGORIA PROJETO VISUAL

Artista

Siba e a Fuloresta, disco "Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar" - Luciana Facchini e os gêmeos (Ambulante Discos)

CATEGORIA REVELAÇÃO

Artista

Rodrigo Maranhão (MPB)

CATEGORIA CANÇÃO POPULAR

Melhor disco

"Ao Vivo", de Fafá de Belém, produtor Julinho Teixeira (EMI)

Melhor dupla

Sandy & Júnior ("Acústico MTV" - Universal)

Melhor grupo

Orquestra Popular Céu na Terra (Bonde Folia - Dubas Música)

Melhor cantor

Martinho da Vila ("Do Brasil e do mundo" - MZA)

Melhor cantora

Fafá de Belém ("Ao Vivo" - EMI)

CATEGORIA INSTRUMENTAL

Melhor disco

"Yamandu + Dominguinhos", de Yamandu Costa e Dominguinhos, produtor José Milton (Biscoito Fino)

Melhor solista

Baden Powell ("Baden plays Vinícius" - Deckdisc)

Melhor grupo

Zimbo Trio ("Ao Vivo" - Gravadora Eldorado)

CATEGORIA MPB

Melhor disco

"De um jeito diferente", de Emílio Santiago, produtor Ricardo Silveira (Indie Records)

Melhor grupo

Boca Livre ("Boca Livre Ao Vivo" - MP,B/Universal)

Melhor cantor

Emílio Santiago ("De um jeito diferente" - Indie Records)

Melhor cantora

Nana Caymmi ("Quem inventou o amor" - Som Livre)

CATEGORIA POP/ROCK

Melhor disco

"Ao vivo no estúdio", de Arnaldo Antunes, produtores Arnaldo Antunes, Betão Aguiar, Chico Salem e Marcelo Jeneci (Biscoito Fino)

Melhor grupo

Nação Zumbi ("Fome de tudo" - Deckdisc)

Melhor cantor

Jorge Benjor ("Recuerdos de Asunción 443" - Som Livre)

Melhor cantora

Vanessa da Mata ("Sim" - Sony/BMG)

CATEGORIA REGIONAL

Melhor disco

"Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar", de Siba, produtores Beto Vilares e Siba (Ambulante Discos)

Melhor dupla

César Oliveira e Rogério Melo ("O campo" - Acit)

Melhor grupo

Meninas de Sinhá ("Tá caindo fulô" - Mais Brasil Música)

Melhor cantor

Rodrigo Maranhão ("Bordado" - MPB)

Melhor cantora

Ivete Sangalo ("Ao vivo no Maracanã" - Universal)

CATEGORIA SAMBA

Melhor disco

"Acústico MTV", de Paulinho da Viola, produtores Luiz Pereira e Adilson Tokita (Sony/BMG)

Melhor grupo

Fundo de quintal ("O quintal do samba" - LGK Music)

Melhor cantor

Paulinho da Viola ("Acústico MTV" - Sony/BMG)

Melhor cantora

Alcione ("De tudo que eu gosto" - Indie Records)

CATEGORIA ESPECIAL

DVD

Maria Bethânia, "Pedrinha de Aruanda", diretor Andrucha Waddington e Bethânia Bem de perto, diretores Julio Bressane e Eduardo Escorel (Biscoito Fino)

Disco de língua estrangeira

"Fake standards", de Rodrigo Rodrigues, produtores Mario Manga e Rodrigo Rodrigues (Dubas Música)

Disco erudito

"Beethoven - Abertura a consagração da casa sinfonia n° 6 - Pastoral", de Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, produtor maestro John Neschling (Biscoito Fino)

Disco infantil

"Por quê?", de Rita Rameh e Luiz Waack, produtores Rita Rameh e Luiz Waack (Independente)

Disco projeto especial

"100 anos de frevo", de Vários Artistas, produtor Carlos Fernando (Biscoito Fino)

Disco eletrônico

"Social", de Marcelinho da Lua, produtores Marcelinho da Lua e Rafael Ramos (Deckdisc)

CATEGORIA VOTO POPULAR

Cantor

Vitor Ramil

Cantora

Ivete Sangalo

CATEGORIA FULL TRACK

Vítor e Léo, com "Amigo Apaixonado"


Meu Deus, quanto lixo... Um prêmio desses pode ser sério???? De qualquer forma parabéns Vitor...

Vitor Ramil

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Vitor Ramil vive em Satolep. Todos os seus discos têm sido gravados no Rio de Janeiro; lá, em Porto Alegre ou em Belém do Pará. Um público esperto acompanha muito de perto seu trabalho. Mas nada disso quer dizer que em algum momento ele tenha saído de Satolep.

Satolep é uma bela cidade, fria e úmida, situada no fim do fundo da América do Sul, às margens da Lagoa dos Patos. Suas ruas que avançam para um norte ou um oeste aproximados, terminam no campo; as que vão para um leste ou um sul, num mesmo lento e silencioso rio. Os campos do oeste metamorfoseiam-se, aos poucos, num intrigante conjunto de morros que abriga pedras, cachoeiras e árvores frutíferas. Os campos do norte são grandes latifúndios que o asfalto das estradas federais costura. Atravessando o rio no sentido leste, chega-se ao areião de uma praia; no sentido sul, à uma planície radical...

Seu reino: SATOLEP
Compositor, cantor e escritor, gaúcho de Pelotas, o caçula da familia Ramil, irmão de Kleiton e Kledir (lendária dupla da MPB e criadores dos Almôndegas), Vitor Ramil começou sua carreira artística ainda adolescente, no começo dos anos 80, com composições gravadas pelo grupo de seus irmãos.

Estrela, Estrela
Aos 18 anos de idade gravou seu primeiro disco Estrela, Estrela, com a presença de músicos e arranjadores que voltaria a encontrar em trabalhos futuros, como Egberto Gismonti, Wagner Tiso e Luis Avellar, além de participações das cantoras Zizi Possi e Tetê Espíndola. Neste período Zizi gravou algumas canções de Vitor, e Gal Costa deu sua versão para "Estrela, Estrela" no disco Fantasia. DOWNLOAD



A Paixão de V Segundo Ele Próprio1984 foi o ano de A Paixão de V Segundo Ele Próprio. Com um elenco enorme de importantes músicos brasileiros, este disco experimental e polêmico, produzido por Kleiton e Kledir, proporcionou ao público uma espécie de antevisão dos muitos caminhos que a inquietude levaria Vitor Ramil a percorrer futuramente. Eram vinte e duas canções cuja sonoridade ia da música medieval ao carnaval de rua, de orquestras completas a instrumentos de brinquedo, da eletrônica ao violão milongueiro. As letras misturavam regionalismo, poesia provençal, surrealismo e piadas. DOWNLOAD

Deste disco a grande intérprete argentina Mercedes Sosa gravou a milonga "Semeadura".

TangoEm 1987, tendo trocado o sul do Brasil, Porto Alegre, pelo Rio de Janeiro, Vitor lançou Tango. Diferentemente do disco anterior, este era o resultado do trabalho de um grupo pequeno de músicos a partir de um repertório também reduzido. Em oito canções o furor experimental e lúdico de antes cedeu lugar a letras densas e elaboradas de canções que viraram sucessos. O letrista se afirmava e o compositor tornava-se mais sutil, proporcionando aos músicos e grandes improvisadores como Nico Assumpção, Hélio Delmiro, Márcio Montarroyos, Leo Gandelman ou Carlos Bala perfomances marcantes. DOWNLOAD

O Barão de SatolepNa passagem dos anos 80 para os 90 Vitor afastou-se dos estúdios e passou a dedicar-se ao palco, pois quase não fizera shows até então. Foi quando nasceu o personagem Barão de Satolep, um nobre pelotense pálido e corcunda, alter-ego do artista. Dividindo alguns espetáculos com esta figura ao mesmo tempo divertida e mal-humorada, mesclando música, poesia, humor e teatro, Vitor começava a consolidar seu público e a aperfeiçoar sua interpretação.

Neste período não só definiu-se a música e postura do Vitor Ramil dos discos que viriam a ser gravados na segunda metade dos anos 90 como apresentou-se o Vitor Ramil escritor, através da novela Pequod, ficção criada a partir de passagens da infância do autor, de sua relação com o pai, de suas andanças pelo extremo sul do Brasil e pelo Uruguai.

Primeiro livro: PEQUODA partir do lançamento deste primeiro livro, em 1995, de grande repercussão junto à crítica e recentemente lançado na França, o artista passou a ocupar-se duplamente: música e literatura.

Mas mais do que pela escritura de Pequod os anos 90 ficaram marcados para Vitor Ramil como os anos em que começou a refletir sobre sua identidade de sulista e sua própria criação através do que chamou de A estética do frio. A busca dessa “estética do frio” deu-lhe a convicção de que o Rio Grande do Sul não estava à margem do centro do Brasil, mas sim no centro de uma outra história. Neste momento, significativamente, ele deixava o Rio de Janeiro para voltar a viver no Sul.

À Beça
Simultaneamente a Pequod aconteceu a gravação do cd À Beça. Tendo saído apenas como edição especial, em tiragem limitada, por uma revista de música de Porto Alegre, este disco representou seu primeiro esforço de realizar algo a partir das idéias da estética do frio. Com versos leves, cheios de coloquialidade, em melodias fluentes e inusitadas concepções rítmicas, o disco antecipava os dois próximos e mais importantes trabalhos: Ramilonga – A Estética do Frio e Tambong. DOWNLOAD

Ramilonga – A Estética do FrioEm Ramilonga – A Estética do Frio, gravado em Porto Alegre em 1997, Vitor inaugura as sete cidades da milonga (ritmo comum ao Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina): Rigor, Profundidade, Clareza, Concisão, Pureza, Leveza e Melancolia. Através delas a poesia de onze “ramilongas” percorre o imaginário regional gaúcho mesclando o linguajar gauchesco do homem do campo à fala coloquial dos centros urbanos. A reflexão acerca da identidade de quem vive no extremo sul do Brasil começa pela recusa ao estereótipo do gauchismo. DOWNLOAD

O canto forte dá lugar a uma expressividade sofisticada e suave; instrumentos convencionais são substituídos por outros, como os indianos e africanos, nunca antes reunidos neste gênero de música. Pela contundência de suas idéias, pela originalidade de sua concepção, Ramilonga é uma espécie de marco zero na carreira de Vitor Ramil.

Tambong
Tambong, seu trabalho seguinte, foi gravado em Buenos Aires, em 2000, sob a produção de Pedro Aznar. Seu resultado é a confirmação da idéia de estar “no centro de uma outra história”, com a musicalidade e poesia brasileiras combinadas com as dos países do Prata a fluir naturalmente em quatorze temas cujos arranjos fazem deste um dos trabalhos mais originais da moderna música brasileira. DOWNLOAD


Tambong saiu em duas versões, português e espanhol. Para realizá-lo Vitor trabalhou com músicos argentinos, como o percussionista Santiago Vazquez, que o acompanha nos shows, e contou com a participação dos artistas brasileiros Egberto Gismonti, Lenine, Chico César e João Barone. DOWNLOAD

Os shows de lançamento de Tambong levaram para o palco a vibração rítmica e as sutilezas harmônicas e melódicas do disco em meio a uma bela produção de luz e cenografia. Começaram com o espetáculo de abertura criado especialmente para o primeiro Forum Social Mundial em Porto Alegre e, depois, foram readaptados para uma temporada de um mês no Rio de Janeiro e outra em São Paulo. Na Argentina o lançamento aconteceu em outubro de 2001, com dois espetáculos em Buenos Aires.

No ano de 2002, com sua banda brasileiro-argentina (Santiago Vazquez, percussão; André Gomes, píccolo bass e sitar; Roger Scarton, harmonium e guitarra) levou Tambong em turnê pelas principais capitais do Brasil.


Em 2003 Vitor apresentou seu primeiro show solo em Montevidéu, Uruguai, Sala Zitarrosa, mesmo local onde tocara, no final de 2002, com o compositor e intérprete uruguaio Jorge Drexler, hoje seu parceiro.

Ainda em 2003 apresentou-se com sua banda na Suíça, nas cidades de Genebra, Zurique e Schaffhouse. Em Genebra, no Teatro St. Gervais, Vitor deu uma conferência, tendo como tema “A estética do frio”. Em Paris, no mesmo período, participou do evento de lançamento da tradução para o francês de seu livro Pequod, pela editora L’Harmattan.

Além de seu livro Pequod, suas canções vem sendo distribuídas na Europa em coletâneas inglesas, espanholas e portuguesas. Sobre Vitor Ramil escreveu o produtor londrino John Armstrong: “Why hasn’t this genious dominated the world of music yet?”

LongesOutubro de 2004 é a data de lançamento de Longes, seu sétimo álbum, também gravado em Buenos Aires e produzido por Pedro Aznar. Neste trabalho Vitor Ramil aprofunda e aperfeiçoa a linguagem que começou a elaborar nos trabalhos anteriores, Ramilonga e Tambong. Se em Ramilonga chamava a atenção a unidade em torno de temas e timbres e se a marca de Tambong era a diversidade sonora e poética, Longes pode ser definido como uma síntese dessas qualidades, por mais paradoxal que isso pareça, e um avanço a partir delas. DOWNLOAD

Os arranjos de Longes têm sua base no violão de aço arpejado de Vitor Ramil e nos baixos melódicos de Pedro Aznar. Participam também Santiago Vazquez e Marcos Suzano nas percussões, o baterista Christian Judurcha, o pianista clássico Gabriel Victora, o guitarrista Bernardo Bosísio, a cantora Adriana Maciel, um quarteto de sopros e uma orquestra de cordas.

A apresentação gráfica de Longes traz fotografias feitas por Vitor e sua mulher Ana Ruth em vários países, além de fragmentos de Satolep, romance que Vitor escreveu simultaneamente à criação das canções do disco.

Satolep Sambatown é o nome do novo CD de Vitor Ramil, em parceria com o percussionista Marcos Suzano. A dupla criou uma sonoridade diferente, em que instrumentos convencionais se misturam a ‘samplers’ e sintetizadores.

O projeto tem a marca da dupla em tudo. Eles dividem a produção do disco, tocam os instrumentos, experimentam sons e mantêm suas raízes musicais. Essa comunhão é representada até no nome do álbum: “Satolep” é Pelotas (cidade natal de Vitor Ramil) escrita ao contrário, e “Sambatown” vem do primeiro álbum solo de Marcos Suzano, de 1996. DOWNLOAD

O álbum conta com participação de Jorge Drexler e da carioca Kátia B. “Satolep Sambatown” é um disco de experimentações. Nele encontramos um repertório que mistura o samba, o choro e a milonga, ritmo mais conhecido no Rio Grande do Sul, com uma base eletrônica. Tudo isso é novidade na trajetória da dupla, que também se uniu especialmente para esse trabalho.




Texto: adaptado por RR do release original do músico.
Pesquisa: Gustavo Ôcalvo.


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DISCOGRAFIA:
• Estrela, Estrela (1981)
• A Paixão de V Segundo Ele Próprio (1984)
• Tango (1987)
• À Beça (1996)
• Ramilonga – A Estética do Frio (1997)
• Tambong (2000)
• Longes (2004)
• Satolep Sambatown (2007) (com Marcos Suzano)

"Sinto hoje em Satolep
O que há muito não sentia
O limiar da verdade
Roçando na face nua
As coisas não têm segredo
No corredor dessa nossa casa
Onde eu fico só com minha voz
A Dalva e o Kleber na sala
Tomando o mate das sete
A Vó vem vindo da copa
Trazendo queijo em pedaços
Eu liberto nas palavras
Transmuto a minha vida em versos
Da maneira que eu bem quiser
Depois de tanto tempo de estudo
Venho pra cá em busca de mim...

...O que a gente quer é ser feliz
A paz do indivíduo é a paz do mundo
E viva o Rio Grande do Sul!...

...Eu existo em Satolep
E nela serei pra sempre
O nome de cada pedra
E as luzes perdidas na neblina
Quem viver verá que estou ali..."


 
RamonR