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A Rádio Rebelde de Roberto Marinho

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Para homenagear o DIA DO GAÚCHO - 20 DE SETEMBRO, o Durango-95 compartilha com seus amigos o raro CD Radio Continental - O Som Nosso de Cada Dia, que vem encartado no fascinante livro "Continental - A Rádio Rebelde de Roberto Marinho", escrito por Lucio Haeser. A história se passa nos anos 70, que foram os mais duros, cruéis e sangrentos da ditadura militar. O governo entupia o povo de mensagens ufanistas enquanto, nos porões, prendia, torturava e matava sem dó nem piedade. Os meios de comunicação tinham sua liberdade vigiada, qualquer informação ou música a ser transmitida passava pelo crivo implacável da Censura. Em Porto Alegre, no entanto, havia uma voz que enfrentava abertamente o poder estabelecido: a Rádio Continental AM, operando na frequência de 1120 Kilohertz.

A emissora, pertencente ao Sistema Globo de Rádio, foi dirigida entre 1971 e 1977 pelo publicitário Fernando Westphalen, o Judeu (foto abaixo), que corajosamente implantou uma programação arrojada, mesclando música e informação de qualidade e falando diretamente ao público jovem. Vários programas da Superquente, como era conhecida a Continental, maracaram época, entre eles o 1120 é Notícia, informativo que atacava e contestava as arbitrariedades governamentais com sarcasmo, ironia e inteligência - e que custou advertências e suspensões à emissora -, e o Mr. Lee In Concert, comandado por Julio Fürst, que passou a apresentar a novíssima música dos Pampas e revelou nomes como o grupo Almôndegas, do qual faziam parte os irmãos Kleiton e Kledir Ramil, e os compositores Nelson Coelho de Castro, Hermes Aquino e Bebeto Alves, todos em gravações exclusivas feitas, na maioria, nos estúdios da rádio.

Repleto de histórias curiosas e informações, o livro mostra, embasado em uma série de entrevistas e depoimentos e em farta documentação escrita, a ascenção e o declínio da Continental (que em 1980 sofreu intervenção dura da direção do Sistema Globo de Rádio, que implantou uma nova programação e pouco tempo depois mudou o nome da emissora para Rádio Globo), além de dar um abrangente panorama da música e da radiodifusão no Rio Grande do Sul.

A obra traz um CD encartado com algumas das gravações dos músicos gaúchos realizadas nos estúdios da emissora, entre elas a primeira versão de "Nuvem Passageira", canção de Hermes Aquino que fez sucesso em todo o país ao ser incluída na trilha da novela global O Casarão, em 1976, "Testamento", do poeta José Fogaça, atual prefeito de Porto Alegre (e ex-locutor da Continental), com os Almôndegas, e "Magricela", de Nelson Coelho de Castro, com o autor, além de uma faixa com vinhetas e aberturas de programas da Continental.

Uma obra indispensável para jornalistas, estudantes e professores de história, publicitários, músicos e toda pessoa que gosta de saber mais sobre o seu passado. O autor criou também um site que traz muitas informações sobre a rádio, o www.continental1120.com.br .

A seguir o próprio autor descreve a saga.

Continental - A Rádio Rebelde de Roberto Marinho, lançado pela Editora Insular em 29 de novembro de 2007 na Livraria Cultura de Porto Alegre é ma idéia que nasceu em novembro de 2001, quando morava em Florianópolis, e começou a ser colocada em prática poucos meses depois, em um contato com Francisco Anele Filho.

A idéia era escrever um livro sobre a Rádio Continental e encartar um CD com as gravações dos músicos gaúchos que a rádio produzia e rodava. Àquela altura, eu sequer sabia se as fitas existiam. Poucas rádios preservam a sua história. Ainda mais uma emissora que havia mudado de administração e de programação em 1980 e trocado de dono em 1986.

Mas a história da Continental é especial. Monsieur Anele tinha as gravações dos músicos porto-alegrenses que rodavam nos anos 70 na Rádio Continental - 1120 AM - A Superquente. E ele se dispôs a abrir o baú. Graças, Anele.

Graças também a Júlio Fürst, o Mr. Lee, - que foi o primeiro guardião das fitas - um importante capítulo da história da música de Porto Alegre está preservado. E pode voltar a emocionar todos os ouvintes da Continental e ser melhor conhecido pelas novas gerações. Um CD será encartado no livro. Mas aqui no site é possível ouvir alguns áudios clicando no menu à direita da página inicial. São vinhetas da Continental e trechos de músicas. Também a Rádio Sem Fronteiras roda músicas do movimento gaúcho. É só clicar no seu player favorito.

Além da história ligada à música de Porto Alegre, a Continental vinha, desde 1971, num embate com a ditadura militar. Dirigida por Fernando Westphalen, o Judeu, a rádio coleciona punições, ameaças da ultradireita, e várias "visitas" são feitas por diretores e redatores à sede da Censura para explicações sobre os textos.

Uma história puxa a outra, e as entrevistas e buscas de documentos são feitas ao longo de seis anos. Nas horas de folga , é claro, mais fins de semana e férias. Foram ouvidas 90 pessoas, algumas várias vezes. Até o momento final da entrega do texto para a editora, agora morando em Brasília, estava descobrindo coisas. Portanto, não é uma história acabada. Muito ainda há que se escrever sobre a Continental. Mas há muitas e boas histórias que justificam a publicação. A mudança para Brasília foi providencial: aqui consegui documentos inéditos sobre a 1120. O arquivo do SNI sobre a rádio.

Virei ouvinte da Continental no fim de 1972, com 13 anos recém-completos. Fazia um esforço danado para ouvi-la. Na região onde morava, em Santa Cruz do Sul, pegava muito mal. O sinal era fraco, mas audível. E valeu muito a construção de uma antena.

Ao iniciar o trabalho, queria saber que fim tinham levado as gravações originais da 1120.

Não me conformava com o fato de que nunca mais iria ouvir aquelas fitas.

Enfim, assim como eu tenho as minhas lembranças da Continental, sei que milhares de outras pessoas têm as suas. Muito mais intensas, certamente. Então é hora de conhecer um pouco mais estas histórias. De um tempo em que os jovens tinham "a sua rádio" com muito orgulho.

Espero que gostem. Tanto quem conheceu como quem nunca ouviu falar da Rádio Continental de Porto Alegre. Foi o que sempre desejei durante a realização do trabalho.

Lucio Haeser
Outubro de 2007


>>>Adaptado por RamonR do texto de Toninho Spessoto - Pesquisador musical.
>>> O livro pode ser encontrado nos sites de venda online por R$40,00.


FAIXA A FAIXA por Emilio Pacheco

1 - "Testamento" - Almôndegas

Composição do atual Prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, que também é autor de "Vento Negro", um dos grandes sucessos do primeiro LP dos Almôndegas (e de muitas outras letras musicadas por parceiros diversos e gravadas por intérpretes como MP4, Nara Leão e Fafá de Belém). "Testamento" nunca havia sido lançada em disco. Imaginava-se que poderia entrar no terceiro LP dos Almôndegas, já que a Continental a tocava bastante em 1976, juntamente com as também inéditas "Piquete do Caveira" e "Alhos com Bugalhos". As duas últimas entraram no disco, mas "Testamento" ficou de fora. Sai agora, finalmente, com o livro. Essa gravação foi feita no estúdio 2 da rádio e a formação dos Almôndegas era: Kleiton (violão), Kledir (violão e vocal solo), Quico Castro Neves (violão), João Batista (baixo) e Gilnei Silveira (percussão). Dizem que Zé Flávio também participou da gravação, mas nessa época ele ainda não pertencia aos Almôndegas e sim ao Mantra. A música é uma bonita homenagem de Fogaça a seu filho: "Um pouco da minha morte / No teu corpo eu plantei / Pouco importa tua estrada / De vagabundo ou de rei / Na tua barba que é a minha / No teu sexo que é o meu / No teu sonho eu viverei".

2 - "Machu Picchu" - Hermes Aquino

Essa era a música mais conhecida de Hermes Aquino em Porto Alegre antes de ele estourar com "Nuvem Passageira". Quando o noticioso "1120 é Notícia" anunciou no começo de 1976 que Hermes estava indo a São Paulo para gravar seu compacto pela Tapecar, já avisou que uma das faixas seria "Macchu Picchu". Ela viria a ser o lado A do disquinho, mas quando o lado B entrou numa novela, a história tomou um novo rumo. Mais sobre isso adiante. No CD está a gravação que a rádio tocava com exclusividade para os ouvintes, registrada ao vivo no primeiro concerto coletivo "Vivendo a Vida de Lee" em 1975, no Teatro Presidente.

3 - "Aos Anos 70" - Utopia

Composição que virou uma espécie de hino daqueles tempos em Porto Alegre: "Anos 70 que serão dez... anos 70 que serão dez..." O Utopia era o grupo de Bebeto Alves (naquela época conhecido como Bebeto "Nunes" Alves) e os irmãos Ricardo Frota no violino e Ronaldo Frota no violão. A gravação é de 1975.

4 -"Magricela" - Nélson Coelho de Castro

Nélson Coelho de Castro estreou na Continental em 1976, depois de participar do Musipuc daquele ano com "Versos de Proa". Mas "Magricela" só entrou na programação no ano seguinte, não mais no programa de Mr. Lee, que havia terminado, mas sim no "Mestre Júlio" às 6 da tarde. Essa música também é conhecida de quem assistia ao Portovisão, na TV Difusora, Canal 10. O apresentador Fernando Vieira mostrava um tape (na época ainda não se dizia clip) em que Nélson e o grupo Olho da Rua interpretavam a música ao vivo no estúdio. A música é cantada por Nélson e sua irmã Suzana. Nessa época eles sempre faziam dueto. Nélson viria a lançar vários discos em vinil e CD, mas "Magricela" está sendo lançada pela primeira vez com o livro.

5 - "Terras Estranhas" - Inconsciente Coletivo

O Inconsciente Coletivo durou pouco, mas deixou saudade. As violas e belas harmonias vocais de Alexandre Vieira, João Antonio Araújo e Ângela Langaro faziam desse grupo um dos mais queridos dos programas de Mr. Lee. Depois entrou Calique Ludwig no baixo. Eles chegaram a lançar um compacto simples pela Tapecar em 1976 com "Voando Alto" e "Fadas Douradas", mas a produção descaracterizou completamente o som acústico do conjunto. O grande momento do Inconsciente Coletivo foi o show "Sul, Primeiros Passos", apresentado no primeiro semestre de 1977 no auditório da Assembléia Legislativa, numa fria noite de segunda-feira. Ali, além de mostrar composições próprias, homenagearam colegas do movimento musical gaúcho, antecipando o modismo do "show de tributo". Reforçados por Fernando Pezão na bateria, o grupo interpretou, entre outras, "Guantanamo" de Hermes Aquino, "Em Meio aos Campos" de Fernando Ribeiro (com vocal solo de Ângela), "Daisy My Love" dos Almôndegas (com vocal solo de Calique), "Rei" do Hallai Hallai (com vocal solo de João Antônio), "Azulão" de Carlinhos Hartlieb e "Portas e Janelas" de Zé Flávio (com vocal de Fernando Pezão). Alguém tem esse show em fita? Eu quero cópia! "Terras Estranhas" entra no CD na gravação do estúdio 2 da rádio, com Alexandre, João Antônio e Ângela (ou Xandy, Tonho e Anginha, como viriam a ser creditados no compacto da Tapecar). Finalmente o som do Inconsciente Coletivo está sendo lançado em disco em sua versão pura e acústica, sem pasteurizações.

6 - "Margarida do Brejo" - Zé Flávio e Mantra

Mesmo antes de entrar para os Almôndegas em 1977, Zé Flávio era uma lenda do rock gaúcho como "guitar hero" do grupo Mantra (e também autor de três sucessos de seu futuro grupo: "Sombra Fresca e Rock no Quintal", "Amor Caipira e Trouxa das Minas Gerais" e o sucesso nacional "Canção da Meia-Noite"). "Margarida do Brejo" conta a divertida história de uma fã que sempre dava um jeito de assistir aos ensaios do Mantra.

7 - "Pense" - Status 4

Esse era o antigo nome do atual grupo vocal negro Status, que mantém dois integrantes da formação original. Quem ainda não ouviu o CD "Velhos Amigos" não sabe o que está perdendo. Hoje são três vozes masculinas, mas nos anos 70 o "Status 4" era formado por dois rapazes e duas moças. São as quatro vozes que se ouvem nessa gravação do estúdio 2 da Continental. Por sinal, essa música também foi gravada pelo grupo para o quadro de Fernando Vieira no Portovisão, na TV Difusora.

8 - "Advertência" - Bizarro

O Bizarro era uma das bandas de rock pesado de Porto Alegre nos anos 70. "Advertência" é de autoria do guitarrista Carlinhos Tatsch. Integraram a banda também o baterista Gélson Schneider, o baixista Mário Monteiro e depois Mitch Marini. Soube pelo Carlinhos que Mitch faleceu de câncer no começo do ano. Pelos meus cálculos, devia ter menos de 50 anos.

9 - "Rei" - Hallai Hallai

Outro inesquecível grupo vocal daquela época. Sua contratação pela Tapecar chegou a ser anunciada juntamente com a do Inconsciente Coletivo em 1976, mas o disco nunca saiu. Somente em 1983 lançaram um compacto simples independente com as músicas "Meu Lugar" e "Segurando o Vento". Em 1986, gravaram um LP pelo selo 3M com o nome de "Hallai", mas o som do grupo estava muito mudado (leiam sobre isso aqui). O Hallai Hallai de que todos temos saudade é mesmo o de 1976 e é esse que estará no CD. Alguns ex-integrantes do grupo estão hoje na banda Cavalo Doido. O Hallai Hallai tem uma comunidade no Orkut.

10 - "Monumento à Poluição" - Gilberto Travi e Cálculo IV

Esse é o mesmo Gilberto Travi que depois integraria os Discocuecas. Nessa época ele já tinha uma veia humorística, mas gostava também de compor músicas de otimismo e crítica ao cotidiano. "Monumento à Poluição" era uma das mais tocadas no programa de Mr. Lee em 1976: "Lá na minha rua tem uma baita chaminé / Que grandalhona que ela é / E larga uma fumaça que mata até bicho do pé (...) / Por isso minha gente preste muita atenção / Quando passarem por essa chaminé / Muito respeito porque ela é / Um monumento à poluição." Quando a Warner chegou ao Brasil no mesmo ano, tentou contratar Gilberto Travi como solista, mas ele se via como integrante de um grupo e só aceitaria se os músicos do Cálculo IV também entrassem. O contrato acabou não saindo.

11 - "Aonde Vai Você?" - Cláudio Vera Cruz

Antes de entrar para a programação da Continental, essa música havia sido divulgada num clip especialmente produzido para o "Transasom" de Pedrinho Sirotsky em 1977. Inclusive, ela foi anunciada com seu título completo: "Aonde Vai Você, Vendedora de Rapadura". Já na Continental, no programa de "Mestre Júlio", o mesmo áudio (gravado no estúdio da antiga Isaec, na Senhor dos Passos) foi divulgado com o nome encurtado para "Aonde Vai Você". Essa bonita composição de Cláudio Vera Cruz com letra de Paulinho Buffara chegou a ser lançada em disco pelo Impacto, com vocal do baixista Vasquez. Agora teremos a gravação original de Cláudio Vera Cruz no CD do livro.

12 - "Flor de Klô" - Simbiose

Linda composição acústica de Rogério Lauda com vocal de Zezinho Athanásio, o mesmo que depois se lançaria para todo o Brasil como o roqueiro Joe ("Já Fui" e "Me Leva Pra Casa"). Aqui ele canta num registro bem alto, quase um falsete, lembrando Ney Matogrosso e também Beto Guedes da fase "A Página do Relâmpago Elétrico". Essa é uma de minhas preferidas do CD. Um dia em 1977 eu tinha ido à Continental para tratar de algum assunto envolvendo o meu irmão (João Carlos Pacheco, que era locutor da rádio), quando fui chamado para pedir uma música para o programa "Participarada". Tive que escolher de uma lista, mas quando vi "Flor de Klô" (foi ali que fiquei sabendo que era com "K"), não tive dúvidas. Depois ouvi minha voz gravada no ar: "Eu queria ouvir na Participarada, com Simbiose, 'Flor de Klô'". Pena que não gravei.

13 - "Sonho" - Toneco

Toneco era mais conhecido como o exímio violonista do grupo que acompanhava Fernando Ribeiro, mas ele também canta - e muito bem. Será um prazer ouvir a voz dele no CD além, é claro, de seu bem executado violão.

14 - "Nuvem Passageira" - Hermes Aquino

Essa não é a gravação que o Brasil todo conheceu a partir da novela "O Casarão" e sim o registro feito no estúdio 2 da Continental. O ruído de vento que entra e sai foi tirado de um disco de efeitos sonoros. Quem poderia imaginar, naquele momento, que essa música seria um dos maiores sucessos de 1976 em todo o Brasil, chegando a ser citada na revista americana Billboard (como "Hermes de Quino")?

15 - "Novo Lugar" - Inconsciente Coletivo

Na época eu ouvia essa música, mas não sabia o nome. Era uma de minhas preferidas do Inconsciente Coletivo, num clima envolvente e melancólico. Faltou dizer lá em cima que João Antônio Araújo passou pelos Discocuecas como "Toninho Badaró", foi locutor de rádio (um dos primeiros da Cidade de Porto Alegre), garoto propaganda do Tevah e atualmente é um dos donos do Abbey Road, onde ainda toca. Xandy é proprietário do Sgt. Pepper's e também continua fazendo música. Ângela é psicóloga.

16 - "Portas e Janelas" - Zé Flávio e Mantra

Um blues típico do grupo de Zé Flávio, inclusive citando Porto Alegre na letra. Uma curiosidade: o baterista do Mantra era Fernando Pezão, que depois passaria por Inconsciente Coletivo (show "Sul, Primeiros Passos", citado acima), Almôndegas (somente em shows), Saracura, Discocuecas até chegar nos Papas da Língua, onde está hoje.

17 - "De Manhãzinha" - Utopia

Mais uma do grupo de Bebeto "Nunes" Alves e os irmãos Frota.

18 - "Arquivo Continental 1120" - Eu sei que, para muita gente, esta parte final é a mais esperada do CD: vinhetas exclusivas da rádio. O que teremos aqui? Bem que eu gostaria de divulgar em primeira mão, mas quem está preparando tudo é o técnico de som Francisco Anele Filho, o "Monsieur Anele", como Cascalho o chamava. Estou torcendo para que entre a característica do "1120 é Notícia" e também a música de fim-de-ano de 1976: "Os tempos andam meio tristes / E a incerteza vai continuar / Você que é jovem se console / Pois tem tempo pra esperar / Talvez dê em nada, talvez seja igual / Mas é ano novo, creia / É tempo bastante pro mundo mudar".


Baixe o disco:



Nos Tempos de Mr. Lee

Mr. Lee
Em 1975 e 1976 existia em Porto Alegre um programa de rádio chamado "Mr. Lee em Concerto". Ia ao ar às dez da noite na histórica Continental AM, frequência 1120, com apresentação de Júlio César Fürst - o "Mr. Lee" em questão. A idéia original era rodar country music, com patrocínio de Lee Jeans. Mas a história começou a mudar quando Júlio foi convidado para ser jurado no festival Musipuc, da PUC-RS. Fascinado com o que viu e ouviu entre os novos talentos gaúchos, o radialista decidiu abrir espaço para músicos locais em seu programa. A segunda meia-hora do "Mr. Lee em Concerto" passou a ser exclusivamente com gravações ao vivo ou feitas no estúdio dois da rádio.

Não era um fato inédito: os Almôndegas já tinham sido lançados pelo programa "Opinião Jovem", patrocinado pelo cursinho pré-vestibular IPV, onde lecionava o professor de português José Fogaça (ele mesmo, hoje ex-Senador), também compositor e amigo do grupo. Mas Júlio foi o primeiro a divulgar material local em larga escala. Numa época em que nem disco independente existia (exceto a investida pioneiríssima de Antônio Adolfo, o "Feito em Casa"), a iniciativa de rodar meia-hora de gravações exclusivas todas as noites acabou furando um bloqueio e criando um movimento. A música do Rio Grande do Sul nunca mais foi a mesma.

Os AlmondegasAlém do programa, "Mr Lee" promovia ainda shows coletivos. Não só em Porto Alegre mas também no interior. E depois de um certo tempo o "Mr. Lee em Concerto" passou a ir ao ar simultaneamente na Rádio Iguaçu, de Curitiba. Em 1976, Luiz Juarez Pinheiro tinha 18 anos. Gaúcho de nascimento, morava no Paraná desde os dois anos. Mas sempre manteve o interesse pela cultura do seu estado. Não perdia um só "Mr. Lee em Concerto". Ele foi uma das seis mil pessoas que assistiram ao show "Vivendo a Vida de Lee" na capital paranaense, no Ginásio do Círculo Militar ("Palácio de Cristal"), surpreendendo aos próprios organizadores com o público maciço.

Mas Luiz Juarez fez mais do que apenas ver e ouvir: com um pequeno gravador portátil, ele gravou vários programas. E manteve suas fitas bem guardadas por todos esses anos. Em um grupo de discussão sobre música, acabamos fazendo contato e ele gentilmente me disponibilizou nada menos do que quatro CD-Rs com suas raridades. Foi uma viagem no tempo.

Convite para a estréia.Luiz Juarez imaginava, como eu também, que mais gente tivesse esses registros em suas coleções. Em especial os protagonistas, como o radialista e os músicos, deviam ter aquelas gravações até com melhor qualidade. Estávamos errados. Aparentemente, ninguém mais gravou nada daquilo. O compositor Nelson Coelho de Castro ficou sabendo do material por um amigo comum, o jornalista Artur Gayer, e me ligou entusiasmadíssimo. Aproveitou para me convidar para participar do programa "Roda Som", na Cultura FM, com apresentação dele, do músico Bebeto Alves e do crítico Juarez Fonseca. Com o aval do verdadeiro herói da história - Luiz Juarez Pinheiro, a quem dei o devido crédito no ar - acabei participando não de um, mas de dois programas.

No meio do primeiro programa, recebemos o telefonema de Francisco Anele Filho, ex-operador da Rádio Continental, que foi quem fez as gravações originais que "Mr. Lee" rodava. Por telefone mesmo, ele mostrou um trecho de "Anos 70", do grupo Utopia, de Bebeto Alves. Tocou também "Magricela", de Nelson Coelho de Castro. Fugindo um pouco do assunto, para mostrar as relíquias do seu arquivo, Anele rodou ainda a íntegra de uma edição extraordinária do noticioso "1120 é Notícia", sobre a morte de Jorge Mautner. Não se assuste: era apenas uma "barriga" que foi ao ar em março de 1975 (a data fui eu quem lembrou). Quando um jornal loca! descobriu que o redator da Rádio Continental passava lá todos os dias para "chupar" notícias do telex, alguém teclou a notícia falsa em modo local e o trote colou. Mas foi emocionante ouvir de novo aquele texto comovente. "O relógio quebrou..." De qualquer forma, já sabemos quem tem as fitas originais com boa qualidade. O dia em que pintar um Marcelo Fróes ou um Charles Gavin na casa do Anele, não vai sobrar pedra sobre pedra.

Hermes Aquino E Mr. LeeInfelizmente, não houve tempo para rodar todas as preciosidades enviadas pelo Luiz Juarez. Mas o importante é que elas estão salvas e bem guardadas. Lá se encontram, por exemplo três gravações dos Almôndegas: "Alhos com Bugalhos", "Piquete do Caveira" e "Testamento". As duas primeiras viriam a ser lançadas em disco, embora "Alhos" perdesse o arranjo de assobios no final. A terceira, de Fogaça, continua inédita. (Os Almôndegas gravaram na Continental também "Teiniaguá" e "Aqui", igualmente nunca lançadas, mas essas o Luiz Juarez não chegou a registrar.) "Mr Lee" anuncia "Desencontro de Primavera", com Hermes Aquino, dizendo que "amanhã o Brasil todo vai cantar". E foi exatamente isso que aconteceu em 1977, quando a música entrou na novela "As Loco-Motivas" (pra quem não lembra é aquela que começa assim: "uma andorinha no céu passou e disse...").

O mesmo Hermes canta "Sem Eira Nem Beira", que depois virou "Longas Conversas" e teve a palavra "beber" substituída por "viver". Lembram do Joe, que cantava "Já Fui" e "Me Leva Pra Casa"? Em Porto Alegre ele era conhecido como Zezinho Athanásio. Do seu ex-grupo Simbiose, rodamos a linda "Flor de Klô". O material inclui ainda várias gravações de Fernando Ribeiro, Zé Flávio (ainda no Mantra, antes de entrar para os Almôndegas), Hallai Hallai, Gilberto Travi & o Cálculo IV, Inconsciente Coletivo, Byzarro, Bobo da Corte, João Schuh e outros.

AlmondegasNada dura para sempre, mas o "Mr. Lee em Concerto" jamais poderia ter acabado no final de 1976. O movimento estava no auge, ainda mais depois das seis mil pessoas em Curitiba, e teria fôlego para continuar por pelo menos mais um ano. Fernando Ribeiro e Hermes Aquino, por exemplo, só lançariam seus primeiros LPs no começo de 77. Infelizmente, com a perda do patrocínio da Lee, Júlio Fürst interrompeu o belo trabalho de divulgação que vinha fazendo. Voltou um mês depois como "Mestre Júlio", às seis da tarde, mas não era mais a mesma proposta. Todos ficamos um pouco órfãos com o final do "Mr. Lee em Concerto" e dos shows "Vivendo a Vida de Lee". Ainda bem que pelo menos um ouvinte teve a visão de gravar alguns programas.

>>>Por Emílio Pacheco.


>>>Publicado originalmente no International Magazine Ed. 90.



Pequena biografia de algumas bandas participantes:


- Inconsciente Coletivo: banda que misturava folk e mpb num formato “Peter – Paul – Mary “, com João Antônio (atualmente dono do Abbey Road, uma das principais casas de shows musicais de Porto Alegre, na qual é sócio de Júlio Fürst), Alexandre (um dos proprietários do Sargent Peppers, outra casa noturna importante da cidade) e a (psicóloga) Ângela. Um som suave, com violas e vocais, bem legal, em que se destacavam as músicas “Voando Alto” e “Terras Estranhas”, gravadas em um compacto lançado em 77 pela gravadora carioca Tapecar.

- Bizarro (posteriormente Byzarro): banda de rock progressivo, hard rock, jazz e o que mais pintasse. Criada nos anos 60 sob a alcunha de Prosexo, contou em sua formação com Carlinhos Tatsch (guitarra), Gélson Schneider (baterista, que posteriormente pertenceu às bandas Trovão, Swing e Câmbio Negro), Mário Monteiro (baixo) / Mitch Marini (baixista que também integrou as bandas mencionadas de Gélson). Fizeram vários shows em dobradinha com o Bixo da Seda. Destacam-se no repertório “Sombras” e “Betelgeus Star”.

- Bobo da Corte: na época do Mr. Lee, a banda tinha na formação Zé Vicente Brizola (filho do próprio e fundador do Bixo da Seda), Gatinha (bateria, posteriormente atuou no Saracura em sua fase inicial), Chaminé (baixo, depois Saracura) e Otavinho (guitarra). Fughetti Luz chegou a participar de uma das formações desta banda, antes de entrar para o Bixo. Rock direto levemente hard, numa levada bem juvenil, sendo de destacar “Genial Colegial”.

- Almôndegas: Banda seminal da música gaúcha dos anos 70, da qual participavam Kleiton e Kledir, e, ainda, Quico Castro Neves, Gilnei Silveira e Pery Souza. Depois, saíram os três últimos e entraram Zé Flávio, João Baptista e no finzinho (79) Fernando Pezão, este na bateria. Transitava pelo rock, bossa nova, milongas, temas regionais do Sul, Mpb e o que mais pintasse, com ótimas letras. Destaque para a "Canção da Meia-Noite", que foi trilha da novela Saramandaia da Rede Globo, e "Rock E Sombra Fresca no Quintal" (ambas do genial guitarrista Zé Flávio).

- Hallai-Hallai: banda de country/folk rock, num estilo bem acústico, fazia um som muito legal, contava com Necão e Paulinho, entre outros membros que foram se revezando, sendo que em 1987, com Jorge Vargas no baixo, gravou um disco pela gravadora 3M, intitulando-se apenas como Hallai. Em destaque, as músicas “Cowboy” e “Quando Viajar Pro Norte” (esta de Fernando Ribeiro).

- Zé Flávio e o Mantra (posteriormente Mantra Jazz Rock circus): Banda capitaneada pelo guitarrista Zé Flávio, o qual, antes de monta-la, participou da banda-show Em palpos de Aranha, que também chegou a se apresentar em show do Mr. Lee (a Em palpos era Zé, Cláudio Levitan, Graça Magliani, Giba-Giba e Néri). O Mantra era formado ainda por Inácio (baixo), Fernando Pezão (bateria, também da banda instrumental Zacarias, que participou do Mr. Lee, posteriormente integrante dos Almôndegas, Saracura e atualmente nos Papas da Língua), e Jakka (percussão). Transitando entre o rock, o blues, a mpb, o tango, entre outras milongas, sempre com uma pitada “latina” a la Carlos Santana, fazia um som bem lisérgico e com muita energia. Destaque para “Dói Em Mim” e “A Margarida do Brejo”. A banda terminou quando Zé foi convidado para integrar os Almôndegas em 77, mudando-se para o Rio de Janeiro.

- Élbia: cantora que fez parcerias com o jornalista, radialista e músico Jimi Joe, apresentou-se no último show do Mr. Lee, realizado no Teatro Leopoldina, em 76, tinha uma música maravilhosa, que não deixava nada a desejar em relação à Rita Lee da fase Tutty Frutti, chamada “Como Meu Quociente de Pureza Se Manifestou Diante da Sociedade”.

- Gilberto Travi e o Cálculo IV: MPB com pitadas de Jazz e blues, com letras inteligentes e provocativas, nas quais eram utilizadas muitas das gírias dos anos 70, com um especial sotaque portoalegrense. Participou em todos os shows do Mr. Lee. Gilberto chegou a ser convidado por Liminha para gravar um compacto pela Warner, que havia se separado da Gravadora Continental, na época, e estava criando o seu cast, o que só não rolou em face da falta de garantias financeiras mais sólidas, além da exigência de que abandonasse a banda que sempre o acompanhou. Posteriormente, junto com o próprio Júlio Fürst, com Beto Roncaferro, e com João Antônio, formou os Discocuecas, banda impagável de “gozação” e “tiração de sarro”, na qual restou muito bem canalizada a face humorística que Gilberto também explora como compositor e performer. Em sua faceta “séria” destaca-se, no repertório de Gilberto Travi e o Cálculo IV, “Poluição” e “Pretensão”.

- Hermes Aquino: sensacional cantor e compositor, traçava o que viesse, do blues/rock à guarânia. Em sua fase tropicalista, nos anos 60, foi para São Paulo e orbitou em torno dos poetas concretistas, junto com sua prima Laís Marques e com Carlinhos Hartlieb, fechando parcerias com Tom Zé e o grupo o Bando. Depois voltou para o Sul e foi um dos principais nomes dos shows do Mr. Lee. Em face desta visibilidade, gravou pela Tapecar as músicas "Nuvem Passageira" e "Matchu Pitchu", sendo que a primeira foi trilha da novela Casarão, primeiro lugar nas paradas de sucesso nacionais. Desentendendo-se posteriormente com a gravadora Capitol, que lançou seu segundo LP, recolhendo-se infelizmente em ostracismo em sua casa em Porto Alegre, o que vigora até hoje, para a tristeza de seus fãs.


- Fernando Ribeiro: morreu em 10 de agosto de 2006, suas músicas geralmente eram apresentadas com a observação "poeta do Porto", mas quem fazia as letras mesmo era o seu parceiro Arnaldo Sisson. Fernando foi contratado pela EMI e, em suas viagens a São Paulo para gravar o primeiro LP, ligava para a rádio e entrava no ar, no Mr. Lee em Concerto, contando como haviam sido as sessões. Pouquíssimos músicos gaúchos promovidos por Mr. Lee conseguiram lançar LP e Fernando foi o único que teve a gravação divulgada passo a passo para os ouvintes. "Em Mar Aberto" é uma obra-prima de MPB, um disco praticamente perfeito. A produção que a gravadora lhe proporcionou foi digna de um astro. Ali estão jóias como "Ultimamente", "Não Demora", "Hora Imprópria" e "Estado de Espírito". Coincidência ou não, a EMI viria a publicar um anúncio institucional de página inteira com a frase: "Eu quero um estado de espírito!" Tudo indicava que Fernando teria uma bela carreira pela frente, ainda mais com o apoio de uma major.

Mas o mundo deu voltas. A gravadora gaúcha ISAEC, que até então apenas terceirizava seus estúdios, resolveu lançar-se como um selo. Contagiado por um idealismo bairrista, Fernando deixou a EMI para prestigiar a gravadora local. O problema é que a ISAEC tinha algumas deficiências típicas de uma gravadora pequena. O resultado é que o segundo LP de Fernando Ribeiro, "O Coro dos Perdidos", não teve a mesma qualidade de produção do anterior.

Em 1979, Fernando Ribeiro mudou-se para São Paulo e passou a trabalhar no Estúdio Vice-Versa, praticamente abandonando sua carreira de artista. A parceria com Arnaldo Sisson nunca mais foi retomada. Em 1988, o produtor cultural Luciano Alabarse trouxe Fernando a Porto Alegre para um show nostálgico, apenas para matar a saudade. Foi talvez a sua última apresentação. Já há algum tempo, Fernando enfrentava problemas cardíacos e respiratórios. Faleceu em São Paulo, no Instituto do Coração, aos 56 anos.

- Utopia: Trio acústico à base de dois violões de aço (um deles de doze cordas) e violino, liderado por Bebeto Alves, contando também com os irmãos Ricardo e Ronald Frota. Difícil de classificar o seu som, feito de “viagens sonoras” típicas dos anos 70, com muito improviso e músicas intermináveis, seu estilo era mais ou menos “psicodélico-acústico-progressivo”, com pitadas de jazz cigano. Desmanchou-se em 76 e lá por 78 teve nova formação, bem maior, e com uma proposta ligeiramente diferente da original, com Bebeto, Ricardo, Cao Trein, Zé Henrique Campani (que também foi dos grupos Emergência e Metamorfose, que participaram de shows do Mr. Lee) e até de Nico Nicolaiéwsky (passagem rápida), dentre outros. Lá por 79 Bebeto começou sua carreira solo.


Quem é JÚLIO CEZAR FÜRST

JÚLIO CEZAR FÜRSTNascido em 8 de outubro de 1949, Júlio Fürst tem 32 anos de carreira no rádio. Sempre teve uma forte ligação com a música. Começou a tocar bateria com 14 anos na banda The Rockets, que tinha uma forte influência dos Beatles. Em 1972, Júlio possuía uma loja de discos, no bairro Moinhos de Vento. Um dos seus clientes mais freqüentes o convidou para trabalhar em uma rádio, devido ao seu grande conhecimento musical. A indicação era para a rádio Pampa AM, na qual realizou um teste e entrou para a equipe.

A proposta da rádio era de uma programação voltada para o público jovem, fazendo frente à rádio Continental, até então a maior audiência neste tipo de segmento. Fürst trouxe para a Pampa muitas inovações, entre elas, tocar músicas de seis minutos, e, na era do rock progressivo, as de 10 e 11 minutos, considerando que naquele tempo só se tocavam faixas de, no máximo, 3 minutos. Outra das suas criações foi o programa Soul Power, que começava às 11 horas da noite. Ele “incorporava” o personagem Julius Brown, o rei da black music. Após um ano na Pampa, recebeu o convite da Continental em 1973, na qual ficou até o final dos anos 70. Para ele, a Continental foi um divisor de águas devido a sua programação diferenciada do que havia no rádio brasileiro, pois tinha uma postura totalmente jovem. Trouxe seu personagem Julius Brown para a rádio, mudando o horário para as 10 horas noite.

Em abril de 1975, colocou no ar o personagem Mister Lee, um cowboy vestido de calça Lee. Esta marca estava entrando no mercado brasileiro.

Paralelo a isto, Fürst foi integrante do famoso conjunto humorístico Discocuecas, como baterista. O grupo fez sucesso nacionalmente, realizando diversos shows pelo país. Durou 20 anos.

Foram gravados quatro discos, e em 1997, foi gravado seu último registro, logo em seguida foi anunciado o término da banda. Em fevereiro de 1980, a convite de Pedro Sirotsky, que comandava a rede naquela época, foi para a RBS fazer parte da equipe que colocou no ar a rede Atlântida FM, permanecendo até 1984. Após isto, passou pela Rádio Cidade, Jornal do Brasil, Universal FM, Rádio Gaúcha e Band FM, na qual ficou até o final dos anos 80. No início dos anos 90, regressou para a RBS para a rádio 102 FM. Hoje é o coordenador e apresentador da Rádio Itapema FM. E junto com João Antônio Araújo toca a casa de shows Abbey Road na grande Porto Alegre.

Clique aqui e leia uma entrevista sensacional com Julio Fürst.



Abaixo os 4 registros raríssimos para download:


CD 01 (50,80 MB)




CD 02 (61,32)




CD 03 (56,20 MB)




CD 04 (61,23 MB)





 
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